Rio de Janeiro, 10 de Outubro de 2026

Investimento em educação é fundamental para nova classe média, aponta pesquisa

Segunda, 08 de Agosto de 2011 às 07:03, por: CdB
Investimento em educação é fundamental para nova classe média, aponta pesquisa

Índices educacionais da classe média avançaram, mas seguem distantes dos da classe alta

Por: Redação da Rede Brasil Atual

Publicado em 08/08/2011, 12:10

Última atualização às 12:23

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O secretário de Assuntos Estratégicos, Moreira Franco: é preciso compatibilizar crescimento com distribuição de renda (Foto: Wilson Dias/ABr)

São Paulo – Embora os índices educacionais da classe média tenham avançado bastante, eles seguem distantes dos da classe alta. Enquanto 87% dos brasileiros mais ricos possuem o ensino médio, apenas 59% da classe média chegam a concluí-lo. Os dados são da pesquisa A Classe Média em Números,divulgada nesta segunda-feira (8) pela Secretaria de AssuntosEstratégicos (SAE) da Presidência da República, com base na última Pnad (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios), do IBGE, de 2009.

As estatísticas educacionais revelam ainda que o quadro pode estar mudando, pelo menos na infância: 99% das crianças e adolescentes (7 a 14 anos) da classe média frequentam a escola, numa proporção igual à da classe alta. No entanto, essa frequência diminui nas demais faixas etárias: 95% dos jovens de 15 a 17 anos e 54% dos adultos de 18 a 24 anos frequentam escola nas classes mais elevadas, enquanto na classe em ascensão os percentuais caem para 87% e 28%, respectivamente.

De acordo com o secretário de Ações Estratégicas da SAE, Ricardo Paes de Barros, "o acesso à educação é a grande diferença entre as classes média e alta". Para ele, a pesquisa mostra que a classe média dá crescente importância à educação. Porém, para reduzir a distância que a separa da classe alta, diz ser necessário dar maior ênfase à qualidade do ensino médio público e ampliar o acesso da classe média às universidades e ao ensino técnico.

Segundo os dados, a nova classe média é principalmente urbana (89%) e, em sua maioria, está em três regiões brasileiras: Sul (61%), Sudeste (59%) e Centro-Oeste (56%). O percentual da população nesse estrato social é maior em cidades de pequeno porte (45%), com menos de 100 mil habitantes, do que em regiões metropolitanas (32%) e em cidades de médio porte (23%). Formada por 95 milhões de pessoas, 52% da população, essa classe tem a maioria feminina (51%), branca (52%) e adulta, com mais de 25 anos (63%).

O estudo foi lançado durante o o seminário A MédiaFaz a Diferença: Origem e Desafios Sobre a Nova Classe MédiaBrasileira. O ministro da SAE, Moreira Franco, abriu o evento em Brasília dizendo que o debate tem como objetivo iniciar umplanejamento preventivo de políticas institucionais que garantam queessa ascensão da nova classe média seja permanente.

Mais de 31 milhões de pessoas entraram na classeC na última década. Franco defendeu que essa população precisa deuma trava para não perder poder econômico nofuturo e que investimentos em educação são fundamentais nesse sentido. "A nova classe média não tem padrinho, não tem paiadvogado, não tem pai jornalista, não tem pai diplomata, ela tem asua capacidade de trabalho e estudo para ocupar um bom lugar",defendeu.

O ministro também enfatizou a importância de ogoverno ampliar suas metas de democratização de oportunidades."Temos que pegar a realidade social, o ativo social, que compõea maioria da sociedade brasileira, fruto de política econômicasocial, de democratização das oportunidades e afirmação de umconceito que dividiu os economistas brasileiros por muitos anos, decompatibilizar crescimento economia com distribuição de renda.Passamos anos fazendo o oposto e o resultado foi muito ruim, hojepodemos dizer que é possível crescer e distribuir". Elelembrou que, num cenário de instabilidade econômica internacional, énecessário que a classe média, como principal força mobilizadorado mercado nacional, seja preservada e estimulada.

A abertura contou também com a ministra da CasaCivil, Gleisi Hoffmann, que foi porta-voz da presidenta DilmaRousseff no evento. Ela destacou os esforços preventivos doseminário em fortalecer as políticas institucionais. "Éresponsabilidade do Estado impedir que a realidade econômicainternacional coloque em risco o projeto de desenvolvimento econômicodo Brasil". Ela enfatizou os esforços no investimento emeducação como única ferramenta de mobilidade social e promoçãosocioeconômica da nova classe média.

Seminário

O evento conta com a participação dos principais especialistas em políticas sociais do país, como Ricardo Paes de Barros, Marcelo Neri (Fundação Getulio Vargas) e Marcio Pochmann, atual presidente do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea). Esses especialistas têm sido ouvidos pela presidenta Dilma desde a preparação do governo.

Também participarão nomes do mercado financeiro (como Luiz Awazu Pereira da Silva, do Banco Central; e Marcos Lisboa, do Itaú-Unibanco); formuladores de políticas econômicas (Marcio Hollanda de Brito, do Ministério da Fazenda); pesquisadores de consumo e opinião (como Renato Meirelles, do Data Popular); professores de economia (como Eduardo Giannetti, do Instituto de Ensino e Pesquisa - Insper) e palestrantes de organizações multilaterais (como Mario Pezzini, da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico - OCDE).

Com informações da Agência Brasil

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