Um ex-embaixador americano que investigava uma suposta venda de urânio processado de Níger para o Iraque, concluiu que Washington distorceu os relatórios de inteligência para exagerar a ameaça iraquiana, em um artigo publicado no jornal New York Times. Joseph Wilson, funcionário do Serviço Externo americano entre 1976 e 1998, viajou a Níger em fevereiro de 2002, a pedido da CIA, para investigar um relatório segundo o qual esse país havia vendido urânio processado ao Iraque no final de 1990. Wilson afirma que, durante oito dias, conversou com dezenas de pessoas em Níger e concluiu que "era altamente improvável que esse tipo de negociação tivesse acontecido", em sua coluna entitulada O que não encontrei na África. "Apesar de não ter entregue nenhum relatório escrito, deveriam existir pelo menos quatro documentos nos arquivos do governo dos Estados Unidos confirmando minha missão", acrescenta o artigo. A CIA tentava responder as dúvidas do vice-presidente, Dick Cheney, sobre um relatório do serviço de inteligência que destacava a existência de um documento que confirmava o acordo entre Níger e o Iraque. As duas minas de urânio de Níger são administradas por interesses franceses, espanhóis, japoneses, alemães e nigerianos. "Se o governo de Níger tentasse retirar urânio de uma mina, teria que notificar o consórcio, que, por sua vez, é estritamente supervisionado pela Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA)". "Segundo minha experiência com o governo nos meses que precederam a guerra, devo concluir que alguns relatórios de inteligência relativos ao programa de armas nucleares do Iraque foram distorcidos para exagerar a ameaça iraquiana", concluiu Wilson.
Investigador da CIA denuncia distorção de informações sobre Iraque
Domingo, 06 de Julho de 2003 às 10:37, por: CdB