Conforme descobriram O Estado de S.Paulo e a Folha de S.Paulo, o governo paulista investigou até Edson Arantes do Nascimento, Pelé, em 1970, auge do terror dos anos de chumbo do regime militar, quando o país era governado pelo general ditador Emílio Garrastazú Médici e São Paulo pelo governador Abreu Sodré, egresso da UDN e depois da ARENA.
Os jornais encontraram os documentos sobre as investigações relativas a Pelé em um prédio da Polícia Civil de Santos, onde o jogador sempre morou, exceto alguns anos em que jogou no Cosmos e viveu em Nova York. De acordo com as informações do Arquivo Público do Estado, Pelé foi investigado após um homem lhe entregar um documento em uma homenagem pública em outubro de 1970.
No ato Pelé recebeu da mão de um servidor público um manifesto pedindo a anistia a presos políticos que só viria em 1979. Mesmo não tendo provocado ou estimulado o ato do cidadão e ativista político que lhe entrou o documento, Pelé foi investigado por uma suspeita ligação com a esquerda, dizem os jornais.
A que ponto chegamos, que disparates as ditaduras são capazes de cometer! A investigação sobre Pelé é só mais uma bizarrice ridícula da ditadura, do festival de besteiras que, como dizia Sérgio Porto, o Stanislaw Ponte Preta, assolava o país naqueles anos.
Aqui, registre-se, no entanto, outro ponto: os documentos secretos do Departamento de Ordem Política e Social (DEOPS), uma das polícias de repressão durante a ditadura, estão abertos à consulta pública. Os dos órgãos federais de repressão que atuaram naquele período um dia também serão abertos. Chegaremos lá, já que o Congresso Nacional logo votará a Comissão da Verdade e da Justiça e o fim do sigilo eterno de documentos.
Investigação sobre Pelé mostra irracionalidade das ditaduras
Terça, 23 de Agosto de 2011 às 06:38, por: CdB