Parlamentares descartaram nesta quarta-feira a existência de provas concretas de que teria havido doação de dinheiro das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) para campanhas eleitorais petistas em 2002.
O general Jorge Armando Félix, ministro do Gabinete de Segurança Institucional, garantiu que o assunto foi encerrado pela Agência Brasileira de Inteligência (Abin) e que a discussão está somente no campo político.
"Está tudo esclarecido, não tem mais nada para falar", afirmou o general a jornalistas após quatro horas de audiência pública no Congresso.
Questionado se ele considera o caso encerrado, o general respondeu: "Para mim sim. Agora, isso não depende de nós, este é um problema que vem sendo discutido no campo político."
De acordo com documento da Abin, datado de abril de 2002, as Farc doariam 5 milhões de dólares para a campanha presidencial do PT em 2002. O informe veio a público em reportagem de capa da revista Veja desta semana. A publicação, no entanto, não trouxe uma cópia do documento, apenas seu relato.
No início da audiência desta quinta-feira foi lido o teor do informe da agência: "Segundo comentários, as Farc no Mato Grosso estariam doando 5 milhões de dólares ao Partido dos Trabalhadores para a campanha presidencial. O dinheiro seria dividido em pequenas parcelas e entregue a empresários simpatizantes do PT, os quais doariam o dinheiro ao partido, camuflando a origem do dinheiro".
Além desse documento, o deputado Alberto Fraga (PTB-DF) divulgou durante as últimas semanas outros supostos relatórios que teriam o mesmo teor, mas a Abin não os reconhece.
Os parlamentares, na audiência, reivindicaram que Fraga divulgasse os dados que apresentou à imprensa mas o deputado se recusou. "Só apresento se for numa CPI", rebateu. O presidente da Comissão Mista de Controle das Atividades de Inteligência, senador Cristovam Buarque (PT-DF), retrucou: "Se for necessário, deputado, nós vamos requerer esses documentos na Justiça".
O líder do governo no Senado, Aloizio Mercadante (PT-SP), afirmou que vai analisar os instrumentos judiciais disponíveis no Congresso para exigir que Fraga apresente as acusações.
"Ele não apresenta porque não tem como sustentar as acusações que fez. Ele apresentou documentos da Abin, mas ficou demonstrado que não são da Abin, nós queremos saber de quem é, porque foi feito, para quê foi feito, qual interesse, quem patrocinou essa investigação", acrescentou Mercadante.
O líder do PSDB no Senado, Arthur Virgílio (AM), também afirmou que as provas das acusações são fracas, mas fez uma ponderação: "O caso é sério, existe a vinculação histórica de membros do PT e pessoas importantes do governo hoje com as Farc. O que não se tem provado é a vinculação de dinheiro nessa história."
As Farc representam o grupo guerrilheiro mais antigo da América Latina que vem combatendo o governo colombiano por anos.