Investigação no futebol não é campanha contra Espanha, segundo denunciante
Um inquérito da Comissão Europeia sobre a possível ajuda estatal ilegal a sete clubes espanhóis de futebol, inclusive Real Madrid e Barcelona, não é parte de uma campanha contra a Espanha, segundo um dos denunciantes.
Um inquérito da Comissão Europeia sobre a possível ajuda estatal ilegal a sete clubes espanhóis de futebol
Um inquérito da Comissão Europeia sobre a possível ajuda estatal ilegal a sete clubes espanhóis de futebol, inclusive Real Madrid e Barcelona, não é parte de uma campanha contra a Espanha, segundo um dos denunciantes.
Loek Jorritsma, ex-assessor do Ministério do Esporte da Holanda, fez em 2010 uma queixa formal sobre uma suposta ajuda ilegal aos clubes na Holanda, e também ao Real Madrid.
Por causa disso, a Comissão Europeia (Poder Executivo da UE) começou em março a investigar cinco clubes holandeses, e além disso iniciou na quarta-feira um inquérito paralelo envolvendo Real, Barça, Athletic Bilbao, Osasuna, Valencia, Elche e Hércules.
A reação foi furiosa, com acusações de que os queixosos teriam inveja do sucesso do futebol espanhol, atual campeão mundial e europeu.
O presidente do Real, Florentino Pérez, apontou "uma campanha contra o futebol espanhol", e disse que o clube de maior faturamento no mundo não fez nada de errado.
Miguel Cardenal, secretário de Esportes do governo espanhol, queixou-se de "danos à imagem da Espanha".
Jorritsma disse que sua motivação era identificar possíveis casos de ajuda ilegal a clubes profissionais, onde quer que eles acontecessem na Europa.
- É uma campanha em prol do equilíbrio competitivo, contra o jogo sujo e por um nivelamento no campo de jogo, que é perturbado pela ajuda estatal - disse Jorritsma à agência inglesa de notícias Reuters.
- Trato os clubes holandeses e todos os clubes europeus do mesmo jeito - disse o ex-funcionário, hoje aposentado, aos 70 anos."Trata-se de ajuda estatal, e são organizações profissionais, como bancos ou qualquer outro empreendimento. Não é cultura, e não há lei que garanta qualquer liberdade para que ameacem o mercado."
Jorritsma não é o único autor de queixas contra os clubes espanhóis, pois a UE disse que um representante de "vários clubes europeus", que não foi identificado, também apresentou uma objeção formal.
Já o holandês rejeitou o anonimato e, por isso, disse ter recebido ameaças de violência física por parte de clubes do seu país.
- Expliquei minhas razões a eles, e no final todos acharam que eu fui muito valente. Por causa da minha origem profissional, sei formular as coisas - disse.
Um dos tópicos que Jorrtisma salientou envolve um negócio imobiliário do Real com a prefeitura de Madri, em 2011, que a Comissão disse que aparentava ser "muito vantajoso" para o clube.
A transação consistiu na reavaliação de um terreno, cujo valor calculado saltou de 595 mil euros em 1998 para 22,7 milhões de euros (US$ 31 milhões).
A investigação da Espanha, que pode durar meses, também examinará se Real, Barça, Bilbao e Osasuna se beneficiaram de um tratamento tributário especial.
Valencia, Elche e Hércules supostamente receberam uma ajuda financeira ilegal por parte de governos regionais, na forma de empréstimos e garantias bancárias.
Todos eles negam irregularidades, e o governo espanhol prometeu lutar para impedir que os clubes sejam forçados a devolver qualquer ajuda que venha a ser considerada ilegal.
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