A Instrução 419, publicada hoje pela Comissão de Valores Mobiliários, pretende facilitar a prestação de informações cadastrais por investidores não residentes no país, bem como sua atuação no mercado brasileiro. Segundo a assessoria de imprensa da CVM, esses benefícios serão obtidos sem que haja redução do poder de fiscalização exercido pela autarquia, vinculada ao Ministério da Fazenda.
A chefe de Gabinete da CVM, Aline Menezes, explicou à Agência Brasil que, na prática, o investimento estrangeiro será facilitado, porque ele não precisará mais vir ao Brasil para contratar um intermediário responsável pelas informações sobre suas atividades no país.
A instrução permite que, a partir de agora, o investidor estrangeiro contrate uma corretora internacional que seja correspondente no Brasil de uma corretora nacional. O país onde está sediada a corretora correspondente estrangeira deve ter a autoridade de regulamentação de valores mobiliários conveniada com a CVM.
Aline Menezes informa que a CVM possui atualmente convênios com diversos países e jurisdições que permitem pedir às autoridades estrangeiras informações sobre esses investidores. "O funcionamento, na prática, vai facilitar para os dois lados, tanto para o investidor estrangeiro como para nós na CVM, porque as informações necessárias vão estar sempre à nossa disposição por causa desse convênio", explica.
Aline negou relação entre a Instrução 419 e o problema de lavagem de dinheiro. "Não vai haver nenhuma facilidade a mais, nem nenhuma dificuldade a mais. Só uma mudança mesmo para facilitar a vida dos investidores e a nossa. A fiscalização e os controles que já existiam sobre lavagem de dinheiro vão continuar existindo e não vai ficar nem mais fácil nem mais difícil pegar alguma operação que seja suspeita de lavagem. Só vai ficar operacionalmente mais fácil, sem prejuízo da qualidade das informações que a CVM continua podendo ter", garante.
Os regulamentos das Bolsas de Valores e entidades administradoras de mercados de balcão organizado terão até o dia 1º de junho para se adaptarem à nova Instrução. Já a formalização da correspondência da corretora brasileira com a corretora estrangeira, que ocorre em geral por via contratual, poderá se estender até 31 de julho próximo, revela Aline.
Investidores estrangeiros ganham facilidade para atuar no Brasil
Segunda, 02 de Maio de 2005 às 16:54, por: CdB