Investidores receberam com desconfiança, na manhã desta quinta-feira, o relatório da Standard & Poor's sobre as perdas totais para as instituições financeiras envolvidas na crise do mercado de hipotecas que, segundo a agência de risco, devem chegar a US$ 265 bilhões. O comentário da agência de rating aconteceu após ela anunciar que poderá cortar suas classificações para títulos com base em hipotecas no valor de US$ 270 bilhões e passar a observar US$ 264 bilhões em obrigações de dívidas colateralizadas, para uma possível redução.
Segundo a agência, sua ação mais recente não deve trazer mais perdas significativas a mais de US$ 90 bilhões em prejuízos já reportados por grandes instituições financeiras, mas ponderou que os agentes menores podem ter de lidar com baixas contábeis. "Os bancos estão se preparando para um novo capítulo na história que se desenrola sobre os seus problemas com o mercado de hipotecas", diz o relatório da S&P. Ainda de acordo com o relatório emitido, a agência espera uma revisão para cima das perdas de alguns bancos europeus e nos Estados Unidos ela espera que os prejuízos se movimentem para os bancos regionais, empresas de crédito e bancos de empréstimos imobiliários.
Segundo analista de mercado de importante distribuidora de títulos e valores de São Paulo, que prefere o anonimato, a situação das agências de risco ficou "muito delicada" com a crise em curso nos EUA.
- Antes dessa crise, o que as agências de risco diziam era quase que lei para o mercado. Agora, no entanto, todos os comentários emitidos e análises obtidas através de dados elaborados por elas são recebidos com muita desconfiança pelos investidores. O panorama econômico mundial está mudando com muita rapidez e isso exige uma dose maior de cautela por parte de todos - disse.