Investidores hesitam assumir riscos com os declínios da bolsa de valores asiática
As ações asiáticas estavam na defensiva nesta terça-feira por incertezas sobre a Ucrânia e as finanças mundiais, embora esperanças ainda vagas sobre medidas de estímulo na China possam estar sustentando a confiança dos investidores. Às 7h05 (horário de Brasília), o índice MSCI que reúne ações da região Ásia-Pacífico com exceção do Japão recuava 0,11%, e o índice japonês Nikkei fechou em queda de 0,4%.
Preocupações sobre a Ucrânia e dados fracos da indústria dos Estados Unidos foram citados como possíveis catalisadores, mas agentes do mercado ressaltaram que as vendas também podem ser reflexo da decisão de se desfazerem de posições antes do final do trimestre. A pesquisa do Markit sobre o setor industrial dos EUA mostrou que as fábricas norte-americanas desaceleraram em março.
O impasse diplomático sobre a Ucrânia continuou conforme o presidente norte-americano Barack Obama e outras importantes nações industrializadas alertaram a Rússia na segunda-feira sobre mais sanções econômicas caso o presidente Vladimir Putin tome mais medidas para desestabilizar a Ucrânia .
– Resumindo, não há onde colocar o dinheiro neste momento. Os investidores estão, de modo geral, otimistas sobre os EUA mas querem ver mais evidências de que a fraqueza em alguns dos dados recentes foi causada pelo clima ruim – disse Tohru Yamamoto, estrategista chefe de renda fixa da Daiwa Securities.
Muitos mercados emergentes têm sido resilientes até o momento, ajudados em parte por expectativas de que o governo chinês pode revelar medidas de estímulo econômico depois dos dados fracos da indústria chinesa divulgados na segunda-feira .
Intervenção
As chances de o governo chinês intervir para sustentar a economia são cada vez maiores após uma série de dados que indicam o crescimento mais fraco da China desde a crise financeira global. Mas os problemas econômicos podem ainda não ter acabado, uma vez que alguns economistas preveem que a desaceleração pode se aprofundar no segundo trimestre do ano.
Isso tudo leva a uma crescente pressão sobre Pequim para que forneça um impulso à economia tendo em vista a meta de crescimento no ano de cerca de 7,5%.
– O governo provavelmente terá que fornecer algumas medidas de suporte. Acho que a desaceleração ainda não acabou e nossa expectativa é que ela continue no segundo trimestre – disse à agência inglesa de notícias Reuters Wei Yao, economista do Société Générale em Hong Kong.
A pesquisa Índice de Gerentes de Compras (PMI na sigla em inglês) preliminar de março mostrou na segunda-feira que o setor industrial encolheu pelo terceiro mês seguido. Ela seguiu-se a dados mais fracos do que o esperado para a produção industrial em janeiro e fevereiro e uma surpreendente queda nas exportações.
Os dados sobre a indústria pesaram sobre os mercados globais uma vez que investidores estão preocupados com o impacto de uma desaceleração na China sobre a economia mundial. Yao espera que o crescimento econômico chegue a 7,2% no primeiro trimestre deste ano ante o quarto trimestre de 2013, e então desacelere ainda mais no segundo trimestre para 6,9%.
Já o Nomura vê expansão de 7,3% no primeiro trimestre e então de 7,1% no segundo, enquanto o Barclays vê desaceleração de 7,3% para 7,2%. Toda as previsões representam o crescimento mais lento desde o primeiro trimestre de 2009, quando atingiu 6,6%.
Crise financeira
Analistas disseram que qualquer medida de política para sustentar a economia seria modesta e certamente não na escala da crise financeira global, enquanto uma torrente de empréstimos levou a um aumento sem precedentes da dívida. Hongbin Qu, economista-chefe do HSBC, sugeriu que essas medidas podem incluir "redução de barreiras para o investimento privado, gastos em metrôs, limpeza do ar e moradia pública, e redução das taxas de empréstimo".
Zhiwei Zhang, economista do Nomura, avalia que o banco central também fará sua parte, reduzindo as reservas compulsórias dos bancos --atualmente de 20% para grandes bancos. Isso liberaria fundos para os bancos emprestarem. Neste mês, fontes disseram à Reuters que o banco central está preparado para afrouxar a política monetária para manter a economia crescendo a 7,5%. No ano passado, a economia chinesa cresceu 7,7%, o mesmo ritmo de 2012.
Na semana passada, o premiê Li Keqiang disse que a China vai acelerar o investimento e os planos de construção para garantir que a demanda doméstica tenha expansão a um ritmo estável, uma indicação de que as autoridades estão avaliando medidas práticas para sustentar a economia. Mas nem todos os analistas estão convencidos de que Pequim vai intervir para sustentar a economia, já que não há sinais de que o desemprego é um problema.
– Não achamos que os últimos dados justificam uma resposta de política, por enquanto, no mínimo – disse Julian Evans-Pritchard, economista de Ásia do Capital Economics.
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