Alinhada com os mercados internacionais, que voltaram à realidade da desaceleração econômica global para justificar uma realização de lucros, a Bolsa de Valores de São Paulo afundou, arrastada pelas ações de bancos e pela queda das commodities.
O Ibovespa, principal índice da praça doméstica, perdeu 6,13%, para 37.785 pontos. Os negócios do pregão movimentaram 4,5 bilhões de reais.
Após seis dias de rali patrocinado por sinais de arrefecimento da crise financeira, a divulgação de novos dados decepcionantes da economia incentivou os investidores no mundo todo a fazer uma pausa no otimismo.
O principal deles foi um índice mostrando que o setor privado dos Estados Unidos cortou 157 mil empregos em outubro, mais que o esperado por economistas, inspirando previsões preocupantes para um indicador de emprego que será divulgado pelo governo na sexta-feira.
Em Wall Street, esse panorama acabou ofuscando o fim da eleição presidencial norte-americana, definida durante a madrugada, que confirmou a vitória de Barack Obama. No momento do fechamento da Bovespa, o índice Dow Jones, da Bolsa de Nova York, cedia 3,8 por cento.
- Os investidores tomaram um banho de realidade - disse Jayme Alves, analista da corretora Spinelli.
Por aqui o setor financeiro, que havia disparado no começo da semana após o anúncio de fusão que deu à luz o Itaú Unibanco, agora o maior conglomerado brasileiro do setor, foi o mais castigado.
Unibanco teve um dos piores desempenhos no índice, despencando 10,9%, para 14,14 reais, mesmo depois ter tido rating colocado em perspectiva positiva pela Fitch. Itaú murchou 8,8%, a 25,91 reais.
Diante da forte correção de matérias-primas como petróleo e metais, os investidores não perdoaram as blue chips domésticas. Petrobras teve baixa de 3,4 por cento, a 24,25 reais. Vale cedeu 7,03 por cento, a 25,77 reais.
Balanços polpudos não salvam ações
Nem mesmo companhias que agradaram analistas com resultados acima das expectativas ficaram de fora. Gerdau caiu 10%, para 13,98 reais, depois de reportar lucro líquido de 1,42 bilhão de reais no período, 37,2% maior do que no mesmo período do ano passado.
TIM Participações encolheu 8,25%, vendida a 2,89 reais. A operadora de telefonia celular conseguiu passar de prejuízo para lucro no trimestre, com melhora das margens.
- Os investidores ficaram mais atentos aos sinais de redução na produção de grande corporações, como a própria Gerdau e a Arcelor - disse Alves.
Se quem teve números positivos não conseguiu proteger as ações do movimento negativo, melhor não fez quem piorou seus resultados. Foi o caso de Braskem, que desabou 6,4%, para 8,48 reais. A petroquímica passou de lucro para prejuízo, atingida pelos efeitos da valorização do dólar sobre o real.