Concentrados em operações de curtíssimo prazo, o investidores ignoraram uma nova safra de novidades sombrias da economia global e voltaram a comprar ações na Bolsa de Valores de São Paulo, que teve a segunda sessão consecutiva de ganhos.
Depois de ter chegado a cair 3,4% nas primeiras horas da sessão, o Ibovespa oscilou sem tendência na maior parte do dia, até firmar-se no azul, fechando em alta de 0,85%, aos 35.296 pontos.
O giro financeiro do pregão somou 3,4 bilhões de reais.
O movimento positivo foi suportado pela influência levemente positiva de Wall Street e pelos ganhos acentuados das ações da Petrobras, as mais importantes do Ibovespa.
A ação preferencial da companhia avançou 5,5%, cotada a 22,84 reais, após sua sócia El Paso informar a descoberta feita de uma nova reserva de petróleo na bacia do Espírito Santo.
A Petrobras também anunciou que prepara uma captação de mais de 1 bilhão de dólares no mercado internacional, dias depois de a companhia ter sido alvo de rumores de que estaria enfrentando dificuldades de caixa.
A melhor do índice foi Embraer, com um salto de 6,7%, a 9,50 reais, no dia seguinte ao anúncio de que a fabricante vendeu seis jatos para a companhia européia Globalia por 237 milhões de dólares.
Esses movimentos, somados a altas pontuais de papéis de empresas dos setores bancário, de telefonia e de eletricidade, foram suficientes para se sobrepor à pressão criada com uma nova safra de notícias negativas da economia mundial.
O índice do setor de serviços dos Estados Unidos caiu para nível recorde de baixa em novembro. Mais cedo, outro índice havia apontado que o país perdeu 250 mil empregos em novembro, ao mesmo tempo em que se sabia que as vendas no varejo da zona do euro recuaram mais que o esperado em outubro.
- As notícias foram todas negativas, mas o investidor parece agora muito mais se orientando por operações de curtíssimo prazo, o que não necessariamente reflete o cenário econômico - disse André Hanna Farath, analista da corretora Interfloat.
As quedas do dia refletiram o ânimo dos investidores com notícias corporativas mais pontuais. Tim Participações, que havia disparado na semana passada em meio a rumores de que a companhia seria vendida para a espanhola Telefónica, caiu 6,1%, para 6,10 reais, depois de sua controladora Telecom Italia reforçar que tem o Brasil como um de seus mercados preferenciais.
Vale, que anunciou a demissão de 1,3 mil funcionários para adequar-se ao cenário de desaceleração global, caiu 0,13%, cotada a 22,46 reais.