Analistas financeiros e políticos ouvidos, nesta segunda-feira, pelo Correio do Brasil, observaram que o cenário político foi um importante fator de pressão sobre a Bolsa de Valores de São Paulo, que fechou em queda de 1,22%, e a alta do dólar, que saltou 2% sendo vendido a R$ 1,209. Especulações diante da possível renúncia do ministro da Fazenda, Antonio Palocci, fortaleceram a idéia de que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva já estaria buscando um sucessor para o cargo.
Os investidores não levaram em conta o pronunciamento do presidente Lula, por meio de sua assessoria de imprensa, no qual ele descarta qualquer sinal de desprestígio à política econômica defendida pelo atual ministro. Lula reiterou não ter "nenhuma intenção" de alterar sua política econômica nem de trocar o comando do Ministério da Fazenda.
No sábado, a assessoria de imprensa do Palácio do Planalto já havia negado rumores sobre uma possível saída do ministro da Fazenda, Antonio Palocci, após a ministra-chefe da Casa Civil ter criticado publicamente algumas orientações da política econômica, classificando de "rudimentar" um programa de ajuste fiscal de longo prazo.
Palocci viajou com a família na sexta-feira e só retornará a Brasília na quarta, segundo sua assessoria, que não informou o destino do ministro. As críticas de Dilma vieram em momento delicado para Palocci, que está sendo pressionado pela oposição a prestar esclarecimentos sobre eventuais atos ilícitos cometidos por antigos assessores quando ele era prefeito de Ribeirão Preto.
Palocci se comprometeu a comparecer à Comissão de Assuntos Econômicos do Senado no dia 22 --a oposição aceitou acordo de não convocar o ministro para uma Comissão Parlamentar de Inquérito contanto que ele dê os esclarecimentos necessários à CAE.