Rio de Janeiro, 25 de Abril de 2026

Inventor cria relógio de pulso antimalária

Quarta, 18 de Janeiro de 2006 às 19:58, por: CdB

Um inventor sul-africano criou um relógio de pulso antimalária para combater uma das doenças mais mortais da África. O dispositivo monitora o sangue do usuário e dispara um alarme se o parasita for detectado. Gervan Lubbe disse que seu monitor de malária, que deve ser lançado no mês que vem, pode salvar vidas e evitar milhões de internações ao detectar a doença antes mesmo que os pacientes apresentem os sintomas.

- Ele pega o parasita e o destrói tão rápido que a possibilidade de morrer é absolutamente zero. E não se sentem nem os primeiros sintomas parecidos com os de resfriado - disse Lubbe numa entrevista por telefone.

A malária, causada por um parasita transmitido por mosquitos, mata mais de 1 milhão de pessoas por ano e deixa 300 milhões gravemente doentes, segundo a Organização Mundial da Saúde. Noventa por cento das mortes ocorrem na África subsaariana. O volumoso dispositivo digital pica a pele com uma agulha bem fina quatro vezes por dia e testa o sangue para verificar a presença de parasitas da malária.

Se a contagem de parasitas ultrapassar 50, soa um alarme e a foto de um mosquito aparece na tela do relógio. O usuário tem então de tomar três comprimidos que acabam com qualquer vestígio da doença em 48 horas. Uma grande mineradora procurou Lubbe para que ele desenvolvesse o dispositivo, já que as altas taxas de malária na África estavam prejudicando a produtividade.

- Se você esperar até ter os sintomas e o diagnóstico de malária, pode ter de ficar seis meses de cama e tomar quantidades enormes que quinino, que podem ser perigosas - disse Lubbe.

Sua empresa, a Gervans Trading, já recebeu encomendas de 1,5 milhão de unidades, feitas por empresas, governos e entidades assistenciais, afirmou ele. O relógio vai custar cerca de 280 dólares, o que segundo Lubbe é mais barato que tratar um paciente com um caso grave de malária. O dispositivo também pode evitar que pessoas que viajam para as áreas endêmicas tenham de tomar caros remédios antimalária, que podem ter efeitos colaterais desagradáveis.

As empresas podem pedir aos funcionários que passem por um digitalizador todo dia. A frequência do relógio transmite então a informação para um computador central para que o departamento de saúde tenha certeza de que as pessoas em risco tomem os remédios. Lubbe afirmou que vários governos africanos e a Organização Mundial da Saúde manifestaram interesse em distribuir o relógio em áreas rurais da África, onde o acesso ao tratamento é escasso. O inventor, de 38 anos, ganhou uma medalha de ouro pela melhor invenção médica do mundo no Show Internacional de Invenções de Genebra em 1998, por um dispositivo para alívio da dor.

Tags:
Edições digital e impressa