Queimar minas terrestres remanescentes de conflitos pode ser mais rápido, mais fácil e mais seguro que explodi-las, afirmaram na terça-feira os inventores de um novo dispositivo antiminas.
As minas terrestres matam e mutilam cerca de 75 mil pessoas por ano em áreas que tiveram conflitos armados no passado, de Angola ao Camboja, e o alto custo dificulta sua retirada.
O piloto britânico aposentado Paul Richard fez a demonstração de seu sistema "Mineburner" numa base de testes perto da capital da África do Sul, Pretória. Ele pretende realizar testes in loco daqui a um mês e meio.
O dispositivo - com um spray de gás - foi colocado primeiro perto de uma mina antipessoal e depois de uma mina antitanque, sendo acionado por controle remoto.
A chama do gás queimou a cobertura das minas e depois consumiu o explosivo plástico, produzindo no final pequenas explosões.
- O Mineburner definitivamente preenche um nicho no setor humanitário, já que grandes minas antitanque são plantadas em pontes, linhas de transmissão de energia, cidades e vilarejos onde não se pode usar a técnica tradicional de explodi-las - disse Theo van Dyk, pesquisador da empresa estatal sul-africana CSIR Defencetek, que ajudou a desenvolver o projeto.
O Mineburner também é mais seguro porque não exige o transporte de explosivos, afirmou ele.
O inventor Richards disse que as novas regulamentações estão tornando quase impossível para as agências que eliminam as minas levar explosivos para as áreas de risco. Pela técnica tradicional, os explosivos são colocados sobre a mina e detonados.
O novo dispositivo é leve e reduz os gastos com transporte aéreo, afirmou ele. Em países como Angola, a infra-estrutura rodoviária e ferroviária ficou arruinada com a guerra civil, e o transporte aéreo é muitas vezes a única opção.
- Desde o 11 de setembro de 2001, transportar explosivos num ambiente não-militar passou de difícil para mais que impossível - disse ele à Reuters no local do teste.
- No Afeganistão, estão retirando explosivos de minas para destruir outras minas. Isso é muito perigoso.
O gás natural, disponível mesmo em países como Angola, também é mais barato, afirmou.
Richards, que já se dedicou a criar coletes à prova de bala e outros dispositivos de segurança, disse que estava doando seus serviços. A empresa privada que vai produzir o produto forneceu parte dos componentes.
Segundo ele, agências assistenciais que eliminam minas, agências da ONU e forças policiais e militares demonstraram interesse no produto. Os primeiros testes de campo devem ocorrer no Chipre, com minas antitanques recentemente encontradas numa área urbana, afirmou.
- Isso pode acontecer em um mês e meio - disse.
- Também vamos ao Camboja daqui a uma semana e esperamos que o Sri Lanka nos convide.
Invenção queima minas terrestres em vez de explodí-las
Terça, 10 de Maio de 2005 às 12:17, por: CdB