Rio de Janeiro, 22 de Abril de 2026

Invasão à Rocinha deixa no mínimo seis mortos em 12 horas

Mais cinco corpos de vítimas da guerra do tráfico na Rocinha foram encontrados na manhã desta quinta-feira. Até agora morreram, no mínimo, seis pessoas. Um adolescente de 14 anos foi atingido no peito na noite desta quarta-feira. (Leia Mais)

Quinta, 16 de Fevereiro de 2006 às 10:09, por: CdB

Mais cinco corpos de vítimas da guerra do tráfico na Rocinha foram encontrados na manhã desta quinta-feira. Até agora morreram, no mínimo, seis pessoas. O adolescente de 14 anos Diego de Araújo Lima foi atingido no peito por disparos feitos na noite desta quarta-feira. Entre os mortos, cinco seriam de moradores da comunidade e um de um dos 40 traficantes que invadiram a favela, cujo corpo foi encontrado dentro de um valão. Três corpos foram encontrados num beco no interior da favela e um outro, no alto do morro. Os cadáveres já foram periciados.

Segundo a rádio CBN, embora não confirmada, há informação de que uma criança teria sido morta perto de uma escola pública dentro da Rocinha.

Ataque

No início da noite desta quarta-feira, traficantes de facções rivais enfrentaram-se, à bala, na parte alta da Rocinha, maior favela do Rio. Um grupo de cerca de 40 bandidos tentou invadir as áreas de venda de drogas da facção rival, que controla o tráfico na região, e o resultado foi a morte de uma criança de 12 anos, atingida por um tido no peito e, no mínimo, duas pessoas feridas. O confronto levou o medo e o pânico aos moradores, que deixavam suas habitações nas áreas conflagradas em busca de abrigo, ou trancavam-se dentro de casa na esperança de não ser atingidos.

Passavam poucos minutos das seis da tarde quando o grupo numeroso, vestido de preto e armado com fuzís automáticos, metralhadoras e pistolas, se fez passar por soldados do Batalhão de Operações Policiais Especiais (Bope) chegou à favela em quatro vans. Divididos em pequenos pelotões, eles avançaram pela Via Ápia, a principal do morro, pela Marquês de São Vicente e pelo alto, na mata. As explosões das granadas marcaram o início do tiroteio. Eles desativaram os transformadores de luz com vários disparos e o embate durou até às 21h.

Muitos moradores, que chegavam do trabalho, foram surpreendidos com a fuzilaria e não conseguiram chegar as suas casas, o que causou uma onda de tumultos no final da Estrada da Gávea. Cerca de 200 pessoas, entre elas crianças uniformizadas, homens e mulheres trabalhadores reuniram-se próximos à esquida na Rua Cedro, um dos principais acessos à Rocinha, na esperança de que a situação se acalmasse. Técnicos da Light, chamados a prestar atendimento à comunidade, não tiveram acesso aos locais atingidos.

Combate

Secretário estadual de Segurança Pública, o delegado federal Marcelo Itagiba afirmou que "os fatos ocorridos nesta quarta-feira na Rocinha são o reflexo de uma briga de quadrilhas pelos pontos de venda drogas na cidade e a polícia interveio, mais uma vez, para reprimi-las".

- A política de segurança pública do Estado do Rio de Janeiro é a do combate direto ao tráfico de drogas e resultou, nos últimos três anos, em mais de 60 mil prisões, entre as quais as 79 lideranças do tráfico, e na apreensão de mais de 45 mil armas nas mãos dos bandidos - disse.

Segundo Marcelo Itagiba, "é hora de dar um basta; ou a sociedade se une ao Estado nesse combate, ou o Brasil, em função da inexistência de uma política de segurança pública nacional, se tornará refém das drogas e poderá se tornar uma Colômbia".

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