A Polícia Metropolitana de Londres afirmou neste sábado que as três bombas que explodiram no metrô da cidade na quinta-feira foram detonadas com intervalos de segundos uma da outra, indicando que os ataques foram coordenados. As bombas explodiram por volta das 8h50, ou 4h50 horário de Brasília. Já a bomba no ônibus explodiu "significativamente mais tarde", de acordo com Andy Trotter, subcomandante-assistente da Polícia Metropolitana londrina, às 9h47m, ou 5h47m em Brasília). A polícia disse desconhecer por que o ônibus explodiu depois.
A polícia afirmou ainda não ter pistas concretas sobre os responsáveis pelos ataques e reiterou que ninguém ainda foi preso em conexão com os atentados. Sobre as bombas no metrô, ainda não se sabe se os responsáveis carregavam as bombas, detonando-as na mesma hora, ou se bombas-relógio foram colocadas nos veículos.
- O mesmo com o ônibus. Não se sabe se um homem bomba suicida se explodiu com a bomba, ou se ele deixou a bomba no interior do veículo. O que sabemos mais certamente é que a bomba estava em um pacote e provavelmente não atrelada ao corpo do criminoso - afirmou Trotter.
Espanha
Uma enorme investigação forense e de inteligência está ocorrendo neste sábado em Londres - o que a imprensa vem definindo como a maior da história na Grã-Bretanha. Os ataques de quinta-feira mataram mais de 50 pessoas e feriram mais de 700.
Uma equipe da Espanha chegou a Londres neste sábado para auxiliar nas investigações. A equipe é a mesma que ajudou a esclarecer os atentados em Madri de março de 2003. Enquanto isso, a polícia ainda busca corpos sob os escombros da explosão que aconteceu entre as estações de King's Cross e Russell Square. O túnel é muito fundo e pouco seguro, segundo a polícia.
- Os túneis são quentes, cheios de poeira e perigosos. As condições são muito difíceis - disse Andy Trotter.
Equipes forenses que trabalham nos trilhos do metrô e outros locais dos atentados estão tentando estabelecer que tipo de explosivos foram usados nos ataques. O teto do ônibus da linha 30, que explodiu na praça de Tavistock, no Centro, foi retirado do local para avaliações. Os policiais da cidade também analisam uma grande busca por suspeitos por meio das câmeras da polícia espalhadas por toda Londres (CCTV).
Uma linha anti-terrorismo foi estabelecida por meio da qual pessoas podem ligar para falar sobre suspeitos. O correspondente afirma que a cooperação internacional está sendo grande nas investigações em Londres, envolvendo profissionais americanos, europeus, do Oriente Médio e do sul da Ásia.
Números
O ministro da Justiça, Charles Clarke, disse na sexta-feira que a expectativa é que o número de mortos aumente. Além de britânicos, também estão entre as vítimas cidadãos de Serra Leoa, Austrália, Portugal, Polônia e China.
O ministro das Relações Exteriores, Jack Straw, afirmou que os ataques têm características da organização Al-Qaeda, do dissidente saudita Osama Bin Laden. Straw não forneceu bases para as suas alegações, mas, na sua posição, ele tem acesso privilegiado a informações do MI6, o serviço secreto da Grã-Bretanha.
Um grupo chamado Organização da Al-Qaeda Jihad na Europa, até então desconhecido, reivindicou responsabilidade pelo ataque em uma página da internet, mas a sua autenticidade não pôde ser verificada.
Após os distúrbios causados por toda a cidade na quinta-feira, a maior parte do sistema de transporte na capital britânica já voltou à normalidade, embora três linhas de metrô e algumas estações permaneçam fechadas. O metrô é usado por cerca de três milhões de pessoas diariamente na cidade. Os ônibus também estão operando normalmente, exceto nas proximidades das áreas onde ocorreram as explosões.