Foram interrompidas as negociações entre polícia e os detentos rebelados na penitenciária Bangu 3, zona oeste do Rio de Janeiro. As conversas devem ser recomeçadas às 7h ha manhã desta quarta a pedido dos presos. Um agente penitenciário foi morto e 42 pessoas são mantidas reféns. O presídio permanece cercado pela polícia.
O diretor da divisão de ambulatórios de Bangu, Jorge Souza, disse na noite de hoje, em entrevista à Globonews, que 42 pessoas são mantidas reféns, e não cerca de 12 como havia divulgado a Secretaria de Administração Penitenciária do Rio. Os reféns estão na quadra que é destinada para visitar os presos.
Os presos mantém os reféns desde as 11h da manhã de hoje. Entre os reféns, há membros da equipe médica da unidade, funcionários que realizavam obras de reforma no local e mulheres de presos que lá estavam para a visita íntima. O atendimento médico, no entanto, não foi interrompido.
A rebelião começou quando os agentes penitenciários se preparavam para levar quatro presos para depoimento fora de Bangu 3. Os detentos renderam e pegaram as armas de agentes do SOE (Serviço de Operações Externas) e começaram o tiroteio que matou um agente e atingiu outros dois. A penitenciária Bangu 3 tem capacidade para 896 presos e abriga hoje 781. A água e a luz do local estão cortadas.
Alguns dos detentos rebelados pediram um carro para a fuga. Em nota, nesta tarde, o secretário de Administração Penitenciária do Rio, Astério Pereira dos Santos, garantiu que a intenção dos presos não será alcançada.
"A segurança em todo o Complexo de Bangu foi reforçada. Bangu 3 está cercada por policiais militares e agentes do Serviço de Operações Externas (SOE). Além disso, as guaritas e o telhado do estabelecimento estão sob a guarda do SOE. Para esse grupo de presos, que não representa todo o efetivo dos 781 detentos do estabelecimento, não há alternativa que não seja a rendição", disse ele.
O delegado especializado Paulo Souto foi enviado pela Secretaria de Segurança do Rio de Janeiro para tentar fazer uma mediação entre as autoridades e os rebelados, visando à libertação dos reféns. O subsecretário de Administração Penitenciária, Adney Peixoto, e o de Unidades Prisionais, Cel Francisco Spargoli, também foram ao local.
O secretário de Administração Penitenciária do Rio de Janeiro, Astério Pereira dos Santos, informou que por enquanto a polícia não vai invadir Bangu 3 para preservar a vida dos reféns. Segundo o secretário, no momento a única medida a ser adotada é a negociação.
"Nós só vamos invadir o presídio se houver a destruição do patrimônio público e se as possibilidades de negociação forem esgotadas".
Agente é morto
Um agente penitenciário foi morto na rebelião. O agente penitenciário do Serviço de Operações Especiais (SOE), Luís Cláudio Lima Bonfim não resistiu aos ferimentos e morreu no Hospital Rocha Faria, em Campo Grande.
Pedro Wallace da Silva, com ferimento na mão esquerda, causado por estoque, e Ronaldo Barbosa de Souza, baleado de raspão nas costas, ambos atendidos no Hospital Albert Schweitzer, já foram liberados e passam bem.