A falta de apoio dos governos e os parcos recursos financeiros poderão atrasar por tempo indeterminado a identificação de milhares de vítimas do tsunami que devastou países no Oceano Índico, informou neste sábado o diretor da Interpol, Ronald Noble.
"Não estou apontando o dedo para nenhum país específico. Estou apontando o dedo para todos os países. Nós, como uma comunidade mundial, deveríamos nos envergonhar", disse ele à Reuters Television.
O diretor da Interpol, que é a agência responsável pela identificação das vítimas do tsunami, disse ainda que a diminuição dos recursos financeiros e a falta de especialistas em identificação de vítimas de desastres são grandes problemas.
"É um absurdo que a gente esteja numa situação na qual os especialistas em identificação de vítimas de desastres - que deveriam passar tempo integral identificando corpos - tenham que arrecadar dinheiro para o seu trabalho, para que as famílias que perderam entes queridos possam descansar", afirmou Noble em uma entrevista no centro forense da ilha de Pukhet.
Segundo ele, a equipe forense da Tailândia teve que pagar do próprio bolso por itens básicos, como cadeiras, mesas e tinta para impressão.
A falta de especialistas forenses, acrescentou Noble, significa que é impossível afirmar quando a identificação dos restos em decomposição das cerca de 5 mil vítimas do tsunami na Tailândia será concluída.
Equipes de técnicos de apenas 16 dos 31 países que enviaram especialistas à Tailândia para ajudar no processo continuam lá, sendo que mais de mil estrangeiros desaparecidos no país e no Sri Lanka ainda não foram identificados.
Os recursos prometidos por governos representam apenas 0,5 por cento do orçamento necessário para continuar o trabalho forense, segundo a Interpol, que estima que o processo de identificação de corpos seguirá até 2006 se o dinheiro não for recebido.
O tsunami, que aconteceu no dia 26 de dezembro do ano passado, deixou cerca de 300 mil mortos ou desaparecidos.