Pesquisa sobre geração de emprego feita pelo Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai), divulgada nesta quinta-feira, mostra que o interior foi mais pródigo na criação de empregos no setor industrial do que as regiões metropolitanas. Segundo a pesquisa, das 1,057 milhão de vagas criadas pela indústria entre 2000 e 2004, 75,99% foram oferecidas em municípios no interior do país.
As principais cidades são Campinas (SP), São José dos Campos (SP), Franca (SP), Joinville (SC), Blumenau (SC), Caxias do Sul (RS) e Divinópolis (MG). A pesquisa foi realizada com base nos dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) e da Relação Anual de Informações Sociais (Rais), ambos do Ministério do Trabalho.
- Entre os principais fatores que influenciam o crescimento do emprego industrial no interior estão as vantagens fiscais oferecidas pelos municípios para a instalação de novas empresas e o baixo custo da mão-de-obra - disse João Luiz Sabóia, coordenador do estudo.
Segundo dados da pesquisa, ainda que a criação de empregos esteja concentrada no interior, 11 capitais se destacam entre as 50 microrregiões responsáveis pela criação de 60% dos empregos industriais no período. Neste caso, o destaque ficou com Porto Alegre, que gerou 48.496 postos de trabalho. Em seguida aparece São Paulo, com 35.801 vagas. Outro destaque da pesquisa é a constatação de que a remuneração média dos empregados admitidos é menor do que as dos demitidos. Na média, os novos trabalhadores recebem entre 80% e 90% dos que perderam o emprego.
Além disso, a remuneração nas capitais ainda é superior a do interior. Em 2004, os novos empregos do setor industrial receberam, em média, 2,3 salários mínimos nas capitais, enquanto no interior a remuneração média era equivalente a 1,9 salário mínimo.
- Esses números mostram que os menores salários pagos no interior são um dos atrativos para as empresas se instalarem longe das capitais - diz Sabóia.