As negociações sobre a retomada da Rodada Doha, que discute o fim das barreiras ao livre-comércio, envolvem mais interesses político-eleitorais que econômicos, afirmou nesta terça-feira o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em entrevista coletiva em Zurique, na Suíça.
— Sinto que há interesses e que todo mundo tem um cuidado político. O que hoje está em jogo não é mais a questão econômica, o que está em jogo hoje é o que representam os eleitores nos países que estão na mesa de negociações. Todo mundo está olhando muito mais para as próximas eleições do que para a quantidade de dinheiro que está em jogo nas negociações —, disse o presidente.
No mês passado, durante viagem à Nova York, Lula defendeu que as negociações precisam estar fechadas antes das eleições norte-americanas, que ocorrem no ano que vem.
— O mundo não pode esperar as eleições americanas —, afirmou o presidente, na ocasião.
Na entrevista concedida nesta terça-feira, Lula disse estar otimista em relação ao andamento das negociações.
— Se tivesse um concurso, eu estaria entre os três seres humanos mais otimistas com relação à Rodada de Doha —, disse.
O presidente Lula disse ainda considerar normal que cada país queira defender seus interesses nas negociações “com unhas e dentes”. Mas, na avaliação dele, será difícil construir um acordo em que todos ganhem.
— Acho difícil, é difícil fazer um acordo onde ninguém perca. O que acho normal é que nessa escala a gente leve em consideração que os países ricos vão ter que fazer milimétricas concessões. Os países em desenvolvimento terão que fazer outras concessões e os ganhadores precisam ser os países mais pobres. Se isso for ajustado, e no discurso político já tem concordância, penso que podemos concluir o acordo —, explicou.
Interesses eleitorais estão em jogo na Rodada Doha, afirma Lula
Terça, 30 de Outubro de 2007 às 14:34, por: CdB