Rio de Janeiro, 16 de Outubro de 2026

Intercâmbio comercial Brasil-Índia tende a dobrar, dizem empresários

Os três países que compõem o Fórum de Diálogo Índia-Brasil-África do Sul (Ibas) pretendem ampliar o comércio entre si de uma média anual de US$ 8 bilhões para US$ 15 bilhões. Segundo o Ministério das Relações Exteriores, as formas de duplicar esse comércio devem ser discutidas no Fórum do Ibas, que começou nesta segunda-feira, na capital indiana. (Leia Mais)

Segunda, 13 de Outubro de 2008 às 10:26, por: CdB

Os três países que compõem o Fórum de Diálogo Índia-Brasil-África do Sul (Ibas) pretendem ampliar o comércio entre si de uma média anual de US$ 8 bilhões para US$ 15 bilhões. Segundo o Ministério das Relações Exteriores, as formas de duplicar esse comércio devem ser discutidas no Fórum do Ibas, que começou nesta segunda-feira, na capital indiana. Em 2007, o comércio entre Brasil e Índia movimentou US$ 3,1 bilhões, com saldo favorável aos indianos. A balança comercial de Brasil e África do Sul ficou em US$ 2,3 bilhões, com superávit para os brasileiros.

Segundo o gerente-executivo de Comércio Exterior da Confederação Nacional da Indústria (CNI), José Frederico Álvares, a comitiva brasileira é composta por empresários de setores variados, como construção, alimentos, transportes e indústria farmacêutica.

– Esse fórum já aconteceu em outras ocasiões e tem servido como um foro importante de discussão empresarial, buscando janelas de oportunidades e de cooperação trilateral. Ele tem realmente criado uma boa expectativa no meio empresarial – explica Álvares

O fórum será encerrado na quarta-feira, com a 3ª Reunião de Cúpula do Ibas, da qual participarão o presidente Lula e o primeiro-ministro da Índia, Manmohan Singh, e o presidente da África do Sul, Kgalema Motlanthe.

– Este momento político dá um pano de fundo muito interessante para as relações comerciais. Isso cria um ambiente propício para que grandes empresários brasileiros se encontrem com empresários da África do Sul e da Índia – afirmou o vice-presidente da Câmara de Comércio Índia- Brasil, Leonardo Ananda.

Além das negociações comerciais, durante a Reunião de Cúpula os três países deverão divulgar uma carta conjunta sobre grandes temas mundiais. O Ministério das Relações Exteriores informou que a crise financeira internacional deverá ser um dos temas abordados no documento.

Conselho de Segurança

Segundo o Itamaraty, é possível que os três países discutam a ampliação dos assentos permanentes no Conselho de Segurança das Nações Unidas. Isso porque Brasil e Índia, juntamente com Alemanha e Japão, querem uma vaga no conselho, formado hoje por apenas cinco países: Estados Unidos, Reino Unido, França, Rússia e China.

A África do Sul também pretende ingressar no Conselho de Segurança, mas, de acordo com o Itamaraty, sua candidatura não é aberta como a do Brasil e da Índia, já que a indicação do país ainda não é consenso no continente africano.

Os três países também assinarão nove acordos de cooperação trilateral, nas áreas do meio ambiente, turismo, propriedade intelectual, ciência e tecnologia, assentamentos humanos, igualdade de gênero, normas e regulamentos técnicos, transporte marítimo e aviação civil

O Ibas foi criado em 2003, com o objetivo de fazer a articulação político-diplomática dos três países. Antes da Cúpula de Nova Delhi, já houve reuniões em Brasília, em 2006, e em Johannesburgo, na África do Sul, em 2007. Um novo encontro está previsto para o Brasil no ano que vem.

Balança comercial

De janeiro a agosto deste ano, o Brasil exportou para a Índia um volume equivalente a US$ 704 milhões, mas importou do país um montante três vezes superior – US$ 2,2 bilhões. Com isso, o déficit comercial brasileiro chega a US$ 1,5 bilhão de janeiro a agosto.

A balança comercial vêm apresentando déficit desde 2005, quando o Brasil teve saldo negativo de US$ 64 milhões. Nos dois anos seguintes, a balança pendeu para o lado indiano em US$ 535 milhões, durante 2006, e em US$ 1,2 bilhão, no ano seguinte. Os dados são do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior.

A assimetria no comércio entre os dois países deverá ser discutido pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva com o governo indiano nesta quarta-feira (15), em visita a Nova Delhi, na Índia. Em entrevista concedida na última semana, o porta-voz da Presidência, Marcelo Baumbach disse que Lula vai defender a importância de buscar formas de reduzir o desequilíbrio.

De acordo com o vice-presidente da Câmara de Comércio Índia-Brasil, Leonardo Ananda, o déficit deve-se ao fato de que a Índia exporta para o Brasil produtos de maior valor agregado. No entanto, a Câmara tem feito trabalhado para aumentar as exportações brasileiras para o país asiático.

Segundo o ministério, os principais produtos vendidos pelo Brasil, neste ano, foram minérios de cobre, óleo de soja, amianto, trigo. Os brasileiros, por outro lado, preferem comprar óleo diesel, querosene de aviação, coques, fios para tecido e vacinas.

– O brasileiro tem que entender que a Índia é um grande mercado consumidor, que chega próximo a 300 milhões de consumidores, com uma população de 1,1 bilhão de habitantes. O indiano descobriu um pouco mais o Brasil do que o brasileiro descobriu o mercado indiano. Temos que descobrir as oportunidades e os mercados para estimular as exportações – afirmou.

No encontro que terá na quarta-feira com os indianos, o presidente Lula também vai tocar no assunto dos biocombustíveis, reafirmando o interesse de o Brasil aprofundar a cooperação com a Índia.

A pauta do encontro de Lula em Nova Delhi, segundo o porta-voz Marcelo Baumbach, conta ainda com discussões sobre as negociações da Rodada Doha da Organização Mundial do Comércio (OMC), quanto à liberalização do comércio mundial. Lula deverá dizer que o Brasil tem feito um esforço para buscar soluções que atendam aos interesses da Índia.

Para Lula, de acordo com Baumbach, "seria essencial concluir a Rodada, o que enviaria um forte sinal positivo de capacidade de articulação da comunidade internacional e também ajudaria a minimizar os efeitos da crise financeira sobre a economia real".

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