Derrotada na eleição do mês passado, a esquerda espanhola reage capitaneada por um numeroso grupo de políticos e intelectuais - escritores, professores, cineastas, atores, ex-ministros do Supremo - e lança um manifesto com críticas ao presidente do governo, José Luiz Zapatero (PSOE).
No documento os intelectuais espanhóis encarecem a necessidade de "reconstruir a esquerda" e que o atual Partido Socialista Operário Espanhol (PSOE) e a Izquierda Unida (IU) estão "perdidos" (erráticos) e "tremendamente fragmentados".
O manifesto já tem assinaturas, dentre outros, do cineasta Pedro Almodovar e de Ana Belén, Victor Manuel e Joaquín Sabina, dentre outros intelectuais. O El Pais, maior jornal espanhol, ouviu, também, o deputado Antonio Gutiérrez (PSOE), o escritor Manuel Rivas, o ator Juan Diego Botto, o ex-ministro do Supremo José Antonio Martín Pallín, e a escritora Almudena Grandes, todos em apoio ao movimento.
Esquerda européia busca alternativas
Parte dos que subscrevem o documento haviam assinado durante a campanha eleitoral de 2008 a Plataforma de Apoyo a Zapatero (PAZ). "Estou muito decepcionado com Zapatero", justifica o escritor Juan José Millás, "porque ele não tem sabido enfrentar a situação (crise)."
No manifesto os autores enfatizam a necessidade de a esquerda espanhola "construir alternativas, renovando pessoas, discursos e métodos" de ação. Segundo um dos redatores do documento, o poeta Luis García Montero (com vínculos com a IU), a Espanha vive a necessidade de "criar uma nova cultura política".
Como se vê, derrotada na grande maioria dos países em crise econômica nos quais se realizaram eleições no 1º semestre deste ano na Europa, a esquerda busca novos caminhos, num movimento saudável e que se tornará tanto mais fortalecido à medida que se expandir para outras partes do mundo.
No velho continente a esquerda se rediscute, se reinventa e busca continuar uma alternativa para fazer frente a programas econômicos ortodoxos impostos pelos conservadores aos europeus para sair da crise.