As relações entre os países que integram a Europa, a América Latina e o Caribe tendem a se estreitar, depois da cúpula promovida na capital espanhola. A expectativa está depositada na criação da Fundação Europa e América Latina (Eurolat). A fundação é uma iniciativa do primeiro-ministro espanhol, José Luís Zapatero, e foi proposta em 2006, em Viena, na Áustria. A nova instituição deverá ser fundada ao longo desta 6ª Cúpula União Europeia, América Latina e Caribe.
O objetivo da fundação é reunir as sociedades civis dos dois continentes para pôr em prática propostas em vários setores. De acordo com informações de negociadores italianos, a Fundação Eurolat reunirá universidades, centros de pesquisa, instituições financeiras e entidades empreendedoras. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva e líderes mundiais estão presentes no encontro, onde a crise do capitalismo mundial foi assunto constante.
Discriminação
Durante a abertura da cúpula nesta terça-feira, a presidente da Argentina, Cristina Kirchner, em nome dos países latino-americanos, reclamou do tratamento discriminatório dado aos imigrantes que vivem em países europeus. Segundo ela, em momentos de crise econômica, como o atual, os imigrantes são responsabilizados e punidos. Ela apelou para a sensibilidade dos governantes europeus à causa.
O primeiro-ministro italiano, Silvio Berlusconi, já formalizou a candidatura da cidade de Milão como sede da Eurolat, segundo propôs o vice-ministro italiano da Educação, Giuseppe Pizza. A cidade de Milão é capital da região italiana da Lombardia e enfrenta a disputa com Paris – a capital francesa – e Hamburgo, na Alemanha. De acordo com o ministro italiano, o governo da Lombardia ofereceu um andar inteiro do edifício Grattacielo Pirelli, conhecido como Pirellone, para sediar os escritórios da nova fundação. O prédio fica no centro de Milão.
Crise grega
A crise econômica que atinge a Grécia e, em menor escala, Portugal e Espanha, mais do que a integração euro-latino-americana, dominou os debates Cúpula. Somente este ano, a União Europeia enviou enviou 14 bilhões de euros aos gregos – correspondentes à parcela de ajuda financeira acertada com o Fundo Monetário Internacional (FMI). O objetivo é conter o avanço da crise.
Paralelamente o FMI também já repassou 5 bilhões de euros para a União Europeia (UE). A União Europeia e o FMI se comprometeram a enviar um total de 110 bilhões de euros para evitar que a grave crise financeira se amplie e contamine o restante do continente. O dinheiro chega à Grécia no mesmo dia em que o país precisa pagar 8 bilhões de euros a credores internacionais. O assunto foi levantado nas rodadas de negociações entre os representantes dos países presentes.