A América Latina deverá crescer cerca de 3% no ano que vem, à medida que a região se recupera da crise mundial, previu o presidente do Banco Interamericano de Desenvolvimento nesta sexta-feira.
– Nós estamos falando de uma recuperação de cerca de 3% para toda a região. Obviamente, alguns (países) vão crescer mais rapidamente, como o Brasil – disse o presidente do BID, Luis Alberto Moreno, à Reuters nos corredores da reunião da APEC em Cingapura.
A América Latina tem sido impulsionada pela crescente demanda por suas exportações de commodities, mas Moreno disse que medidas anticíclicas como gastos em infraestrutura por parte dos governos da região também estavam ajudando a recuperação de sua economia.
– Alguns países na América do Sul foram os últimos a sentir o impacto da crise, mas os primeiros a ver uma recuperação – disse ele.
Segundo ele, a América Latina ainda está enfrentando desafios com a baixa demanda dos consumidores dos Estados Unidos, que, no passado, foram um dos combustíveis econômicos da região, disse ele. O BID tinha previsto que a economia da América Latina poderia encolher 2% neste ano. Moreno ainda disse que o BID deve distribuir US$ 12 bilhões em empréstimos neste ano e por volta de US$ 10 bilhões no ano que vem, majoritariamente em países como Brasil, México, Argentina e Colômbia.
Integração
Um dos fatores que tende a elevar os níveis de produtividade no continente é a integração entre os países, seja com a construção de estradas ou de vias de abastecimento marítimas e aéreas. No caso do Brasil e da Venezuela, recém-admitida no Mercosul pelo Parlamento brasileiro, os governos venezuelano e do Estado do Pará assinaram, nesta sexta-feira, termos de cooperação nas áreas de energia, ciência e tecnologia, agricultura, povos indígenas, transporte, educação superior, turismo, cultura e esporte. Segundo a governadora Ana Júlia Carepa, um dos principais acordos firmados com o presidente Hugo Chávez é o estabelecimento de uma rota marítima regular de navios entre o Pará e a Venezuela.
– O presidente Chávez determinou que em 45 dias os navios já façam o primeiro carregamento, trazendo produtos que nos interessam, como fertilizantes, e levando carnes, pescados, frutas e polpas – disse Ana Júlia aos jornalistas.
Segundo ela, atualmente os agricultores e pecuaristas têm que transportar sua produção até o Porto de Santos, em caminhões refrigerados, para ser exportada. Com a nova rota, os navios sairão do Porto de Barcarena, próximo a Belém.
– Todos ganham porque o preço dos produtos será bem mais viável e cria uma rota de oportunidades não só para a Venezuela como também para outros países. Vai reduzir muito o preço do frete, melhorar a lucratividade dos produtores e tornar nossa carne muito mais competitiva – ressaltou a governadora.
As exportações para a Venezuela têm crescido muito nos últimos anos. De acordo com dados do governo paraense, o Estado exportava para aquele país, até 2006, cerca de US$ 170 milhões em produtos. Dois anos depois, em 2008, o valor quase dobrou, saltando para US$ 334 milhões. Além de fertilizantes, os venezuelanos devem embarcar cimento e derivados de petróleo para o Brasil.