Rio de Janeiro, 25 de Maio de 2026

Insurgentes matam 15 em novos ataques no Iraque

Segunda, 23 de Maio de 2005 às 11:30, por: CdB

Guerrilheiros atacaram um restaurante de Bagdá e detonaram um caminhão-bomba em frente ao gabinete de um prefeito na segunda-feira, quando a série de ataques contra o governo deixou pelo menos 15 mortos.

A polícia disse que um carro-bomba explodiu em frente a um restaurante na zona norte de Bagdá, na hora do almoço, matando pelo menos quatro pessoas e ferindo mais de cem.
O caminhão-bomba, guiado por um suicida, explodiu perto do gabinete do prefeito de Tuz Khurmatu, cidade ao sul da cidade petroleira de Kirkuk. Cinco pessoas morreram e 18 ficaram feridas.

Em Samarra, dois carros-bomba e um homem-bomba atacaram um quartel norte-americano, matando quatro iraquianos e ferindo quatro soldados dos EUA.

Horas antes, um atentado a tiros matou Wael Rubaie, funcionário do Ministério da Segurança Nacional, e seu motorista, segundo o governo.

O grupo do jordaniano Abu Musab Al Zarqawi, líder da Al Qaeda no Iraque, assumiu a autoria do crime.

Os insurgentes, em geral sunitas, já mataram mais de 500 pessoas nas três semanas decorridas desde o anúncio do novo governo do Iraque, dominado por xiitas e curdos. A violência desperta temores de uma guerra civil.

O atentado contra a prefeitura de Tuz Khurmatu feriu um importante membro do partido União Patriótica do Curdistão, Mohammed Mahmoud Jigareti, e matou um irmão dele. Ambos entravam de carro no prédio da prefeitura no momento da explosão.

No domingo, três soldados norte-americanos morreram em ataques em Mosul. Um quarto militar foi morto por uma bomba perto de Tikrit.

Por outro lado, 285 supostos insurgentes foram detidas por forças do Iraque e dos EUA após buscas no bairro de Abu Ghraib, na zona oeste de Bagdá, de acordo com os norte-americanos.
Um importante funcionário dos EUA disse que provavelmente a violência entre xiitas e sunitas não levará a uma guerra civil, mas que "isso está na lista de coisas com as quais se preocupar".
Nos últimos dias, líderes das duas facções trataram de diminuir a tensão. O jovem clérigo xiita Moqtada Al Sadr, que comandou duas rebeliões armadas contra os EUA, enviou no domingo uma delegação para visitar a Associação dos Clérigos Sunitas. Outro grupo encontrou representantes do Sciri, principal partido dos xiitas, e da sua milícia, a Organização Badr.

Funcionários do escritório de Sadr disseram que pode ocorrer uma cúpula entre os dois lados.
Zarqawi, acusado por autoridades iraquianas de tentar provocar uma guerra civil religiosa, alertou os sunitas a não participarem do processo político, o que os tornaria infiéis.

O grupo dele disse no domingo que matou um piloto dos EUA que havia sido capturado e divulgou fotos de seus documentos pela Internet, identificando-o como Neenus Khoshaba.

Mas o irmão dele, Boulus, disse que Neenus nunca trabalhou para os militares dos EUA e que recentemente voltou ao Iraque para buscar oportunidades de negócios, após estudar nos Estados Unidos.

Neenus foi visto pela última vez pouco antes de partir para uma reunião com funcionários do setor de petróleo.

- Tudo o que sabemos é que ele foi sequestrado - disse Boulous.

- Hoje ouvimos nos canais por satélite que Zarqawi o matou.

Os insurgentes já sequestraram 150 estrangeiros e milhares de iraquianos nos últimos dois anos. Muitos foram libertados, mas cerca de 30 por cento foram mortos, alguns decapitados.

O governo iraquiano disse na segunda-feira que prendeu um insurgente ligado a Izzat Ibrahim Al Douri, o principal assessor de Saddam Hussein que ainda está solto. Muthana Al Douri teria sido preso perto de Tikrit na semana passada.

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