Setores do PT e de outros partidos de esquerda no Brasil iniciaram, nesta terça-feira, uma série de pesquisas acerca do passado do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, durante o tempo em que ele esteve fora do país, por força de circunstâncias vividas no período da ditadura militar. Desde a sua saída do país até a formação do Instituto Fernando Henrique Cardoso, cujo estatuto segue à risca o documento de instalação do Instituto de Pesquisas Sociais, uma série de fatos têm chamado a atenção dos pesquisadores.
- Acreditamos que tanto FHC quanto José Serra foram, à época, cooptados pela Central Inteligence Agency (CIA), dos EUA, para conseguir sair do Brasil, rumo ao Chile, onde uma revolução contra o sistema socialista do presidente Salvador Allende estava em marcha - disse um dos integrantes do grupo de pesquisa que prefere manter-se, por enquanto, no anonimato.
Segundo o historiador Rubem Azevedo Lima, integrou o IPES, logo após a sua fundação, "um jovem economista, que fazia, para o IBAD, análise das perspectivas econômicas do país. Seu nome: Pedro S. Malan", titular da pasta Fazenda, no governo FHC, com o nome sem o "S": Pedro Malan.
"Começara a montar-se, desde o final de 1961, já sob o governo trabalhista de João Goulart - que assumira a presidência após a renúncia inesperada de Jânio Quadros, em agosto daquele ano -, uma poderosa estrutura alimentada pelos recursos do Fundo do Trigo, dinheiro das exportações, para o Brasil, do excesso da produção de trigo subsidiado nos Estados Unidos.
"Empresários brasileiros e de grandes corporações internacionais, assustados ante a perspectiva das reformas preconizadas por Goulart, que ampliariam o poder do Estado, com vistas às reformas agrária e do sistema financeiro, criaram uma organização de resistência a tais propósitos: o Instituto Brasileiro de Ação Democrática (IBAD), sediado em São Paulo, com filiais no Rio de Janeiro e Brasília e escritórios em várias capitais.
"Integravam o IBAD algumas dezenas de parlamentares conservadores e de direita, num bloco informal, a Ação Democrática Parlamentar (ADEP). Na estrutura da organização havia mais a Análises de Perspectivas Econômicas (APEC), na qual trabalhava Malan; o IPES, um departamento de imprensa, dirigido pelo escritor Rubem Fonseca, ajudado por jornalistas contratados em todo o país, e a CAMDE, Campanha da Mulher pela Democracia - ligada à igreja conservadora -, que o IBAD utilizava em protestos e passeatas contra o governo.
"Essa estrutura complexa recebia, além dos recursos do Fundo do Trigo, contribuições do empresariado nacional e estrangeiro, que, inclusive, foram aplicadas na campanha eleitoral de 1962, para eleger governadores, senadores e deputados. Elegeram-se, então, oito governadores e entre 120 e 130 parlamentares, para o bloco da ADEP, nas duas casas do Congresso, a se instalarem em 1963", afirma o historiador Azevedo Lima.
A mesma estrutura para a arrecadação de fundos, com as devidas adaptações ao novos tempos, segundo pesquisam os investigadores, está em uso no IFHC.
- O IFHC é remunerado por vários segmentos da indústria e do comércio internacional, nos mesmos moldes do IPES - constata o pesquisador.
Moniz Bandeira, em O Governo João Goulart: Lutas Sociais no Brasil, cita que o Instituto Brasileiro de Pesquisas Sociais (IPES) planejava propagandas em veículos de comunicação atacando os comunistas, os nacionalistas e João Goulart.
"O embaixador norte-americano, Lincoln Gordon, tinha uma estranha liberdade de movimentos e um comprido focinho para se meter em assuntos alheios a seu país, Freqüentava quartéis, ouvia os lamúrios servis de Lacerda, mandava recados para a imprensa. É óbvio que a embaixada tinha se tornado um covil de agentes secretos da CIA, agindo nos bastidores a favor de um golpe militar", lembra Moniz Bandeira.
Para Peter Hakim, atual presidente do Inter-American Dialogue, de Washington, do qual FHC