Representantes de 15 instituições de defesa dos direitos humanos instalaram na capital pernambucana o comitê estadual da Frente Brasil sem Armas. Integram o grupo: igrejas, secretarias estaduais de Justiça e defesa social, Ministério Público e organizações não-governamentais.
De acordo com o presidente da Ordem dos Advogados do Brasil em Pernambuco, Júlio Oliveira, a iniciativa, que deve ser estendida a todas as capitais do país, pretende mobilizar a sociedade para votar a favor do referendo do desarmamento, no dia 23 de outubro deste ano.
Ele afirmou que é preciso alertar a população de que quem porta uma arma sem a devida preparação, em momentos de dificuldade, como seqüestro ou assalto, se arrisca a morrer ou a se ferir, ao invés de se proteger.
- Queremos mostrar que é a polícia que precisa estar equipada, a serviço da sociedade, para combater o crime - observou Julio.
Oliveira destacou que o trabalho do comitê será promover palestras em escolas, debates em universidades, associações de bairros, seminários e distribuição de cartilhas, para mostrar à sociedade que o desarmamento é o caminho para reduzir o índice de criminalidade e construir um mundo com menos violência.
O deputado estadual Betinho Gomes (PPS), reconheceu que a maior resistência ao desarmamento será no interior do estado, onde predomina a cultura machista de querer resolver tudo de forma individual.
- Iremos sensibilizar essa parcela da população pernambucana, apresentando indicadores de que a possibilidade de ser ferido ou morrer aumenta em 57% quando cidadãos armados enfrentam bandidos - explicou o deputado.
Ele explicou que é preciso mostrar também os elevados gastos que o governo federal tem, todos os anos, com o atendimento pela rede credenciada ao Sistema Único de Saúde, a pessoas feridas por armas de fogo.
O parlamentar afirmou que Recife é a segunda capital do país onde ocorre maior número de homicídios praticados com armas de fogo, perdendo somente para Vitória, a capital do Espírito Santo.