Servidores federais do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) entrarão em greve nesta quinta-feira. Segundo o Sindicato dos Trabalhadores na Previdência Social de São Paulo (Sisprev), o tempo da paralisação do INSS vai depender da disposição do governo em negociar com a categoria.
Os funcionários reivindicam 18% de aumento e reposição das perdas acumuladas desde 1998, estimadas em 61%. O ministro da Previdência Social, Romero Jucá, se reuniu terça-feira com os ministros da área econômica, mas não definiu uma contraproposta para impedir a greve.
- O ministro teve um mês para apresentar uma resposta, mas o retorno foi o aumento de 0,1%. Alguém que ganha R$ 1 mil recebeu um aumento de R$ 1 - alegou o diretor do Sisprev, Laércio Duque. Ele completou que a categoria quer, além de romper a barreira do 0,1%, melhores condições de trabalho e reposição de servidores. Segundo Duque, a defasagem no INSS é de 18 mil funcionários em todo o País.
Enquanto isso, filas se acumularam nas calçadas em frente às agências. Em Alegre (RS), a fila do lado de fora da agência centro - que normalmente termina às 9h - continuava até às 10h desta quarta-feira. A assessoria do INSS na capital gaúcha informou que esta agência tem a capacidade de atender até mil pessoas, onde a maioria se acomoda dentro da instituição. Em outros bairros da cidade, a fila já começou a ser formada de madrugada.
- Para poder resolver o problema das filas e para desrepresar o montante de trabalho acumulado e dar um bom atendimento à população, também precisamos de melhores computadores, que hoje funcionam em ritmo de tartaruga. Estamos com um atraso tecnológico de 15 anos. Um atendimento que levaria 10 minutos, hoje o fazemos em 30. Precisamos de um investimento maciço em tecnologia - finalizou.
A categoria realiza assembléias em todo o país, nesta quarta.
- Estaremos consolidando a greve amanhã e estaremos saindo às ruas para pedir o apoio da população. Se o governo nos apresentar uma proposta na sexta, poderemos passar o fim de semana avaliando a questão e o serviço retornará o mais breve possível.
Caso haja algum acordo ainda nesta quarta, a assessoria de imprensa do INSS em Porto Alegre afirmou que é possível que a greve não seja deflagrada.
Com a greve do INSS, aposentados e pensionistas não ficarão sem receber os benefícios. O pagamento dos benefícios começam nesta quarta, quando serão liberados aqueles com numeração terminada em 1 e 6. Os segurados devem ficar atentos ao calendário, que vai do primeiro ao quinto dias útil de cada mês.