Rio de Janeiro, 26 de Setembro de 2026

Inspetor da ONU tentou evitar invasão do Iraque

Sexta, 09 de Julho de 2004 às 05:30, por: CdB

O ex-inspetor de armas da ONU Hans Blix apelou para o primeiro-ministro britânico, Tony Blair, por mais tempo para descobrir evidências de armas de destruição em massa no Iraque, antes da invasão liderada pelos Estados Unidos, informou o jornal Financial Times em sua edição desta sexta-feira.

"Disse para Blair que, enquanto não poderia excluir completamente a possibilidade de existência de armas de destruição em massa, não estava impressionado com as evidências reunidas até então", disse Blix em entrevista para o jornal.

"Blair me disse que todas as agências de inteligência ao redor do mundo concordavam com a Grã-Bretanha e os Estados Unidos de que havia armas de destruição em massa no Iraque. Ele estava realmente convencido disso".

Um ex-funcionário público de alto escalão, Lord Butler, deverá entregar na próxima quarta-feira um relatório sobre as informações de inteligência recebidas pelo governo britânico a respeito dos armamentos de Saddam Hussein. O documento provavelmente vai trazer críticas ao serviço de espionagem britânico, assim como para o governo Blair.

Um dossiê questionável do governo britânico, divulgado em setembro de 2002, afirmava que as armas de destruição em massa do Iraque poderiam ser disparadas 45 minutos depois de uma ordem. Porém, mais de um ano depois da queda de Saddam Hussein, nenhuma dessas armas foi encontrada.

"Tínhamos noção de quão pobres eram as informações", disse Blix ao Financial Times. "Estávamos recebendo o que eles diziam que era o melhor que tinham, e estava errado".
Blix chefiou a Agência Internacional de Energia Atômica de 1981 a 1997, e depois comandou a Comissão de Monitoramento, Verificação e Inspeção das Nações Unidas.

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