Rio de Janeiro, 17 de Setembro de 2026

Inserção externa e competitividade

Segunda, 17 de Maio de 2004 às 06:19, por: CdB

O Brasil almeja alcançar US$ 100 bilhões em exportação desde Plano "Avança Brasil" - Plano Plurianual do Governo Fernando Henrique Cardoso 1999 a 2003 - até os atuais objetivos governamentais. A nova política industrial expande o prazo para atingir esta meta para 2007, ou seja, são 8 anos, sem considerar a atualização do dólar no tempo, perseguindo o mesmo objetivo. Obviamente aumentar as exportações não é uma tarefa fácil e se concentra muito em questões microeconômicas. As decisões e estratégias das firmas devem considerar a dimensão do mercado externo, sua dinâmica concorrencial e formas de competição. A tarefa não é simples já que implica em pensar em um novo posicionamento competitivo diante de um mercado que, teoricamente, se tem menos informações e a demanda é menos conhecida.

O avanço das exportações brasileiras tem se beneficiado do aumento da demanda e das estratégias de empresas transnacionais. O preço pouco tem sido um determinante para o aumento das exportações. Se for composta a pauta exportadora em bens intermediários, em bens de consumo duráveis, em bens de consumo não duráveis e em bens de capital pode-se notar que os maiores crescimentos foram daqueles produtos que tiveram menor aumento de preço internacional após o plano Real. Mais especificamente o crescimento dos bens de consumo durável e não durável cresceram, respectivamente, 12% e 8% ao ano, enquanto seus preços reduziram em torno de 2% ao ano. Isto mostra uma mudança de comportamento da pauta exportadora e de sua menor dependência com a flutuação dos preços do mercado internacional.

Curiosamente o único aumento das exportações que pode ser parcialmente explicado pelo aumento de preço se refere àquele com maior agregado tecnológico, ou seja, os bens de capital. Salienta-se que períodos dinâmicos da economia brasileira representaram também forte crescimento das exportações de bens de capital. De 1974 a 1980, o crescimento anual das exportações de bens de capital foi 26%. Em compensação denominada década perdida (1980) refletiu com uma redução anual das exportações deste tipo de produto em 1,2%. Dos quatro tipos de bens listados, o bem de capital foi o único que reduziu. O início da década de 1990 foi de recuperação com forte crescimento deste tipo de produto exportado, com taxa anual de 16%.

Adicionalmente, em torno de 70% das exportações brasileiras se concentram em bens intermediários, como celulose e petroquímicos. No início da década a dinâmica internacional era direcionada principalmente pelo fluxo deste tipo de bens, o que permitiu que o Brasil tivesse em torno de 55% das exportações em bens cujos mercados eram consideradas dinâmicos entre 1992 e 1994, ou seja, cujas taxas de crescimento anual desses mercados era superior a 7%. A média mundial para este tipo de bem era de 54%, mostrando que a composição da pauta de exportação brasileira, apesar de suas limitações quanto a participação mundial, estava em sintonia com a média mundial.

Os resultados pós 1994 refletiram na maior participação de bens de consumo, sejam bens duráveis ou não, e diminuíram a participação relativa das exportações de bens de capital. Além disso, o ritmo de crescimento mundial dos bens de capital, de consumo duráveis e não duráveis foi mais intenso que de bens intermediários. O reflexo disso foi a diminuição da participação das exportações brasileiras para mercados dinâmicos (crescimento anual acima de 7%) de 55% entre 1992 a 1994 para 17% entre 1998 a 2000.  Essa mudança se deu justamente pela baixa diversificação da pauta exportadora brasileira se comparado ao ritmo da economia mundial. Isso implicou na concentração de 64% das exportações brasileiras em mercados de baixo dinamismo no final do século XX, ou seja, com crescimentos anuais abaixo de 4%.

O aumento das exportações dos bens de não duráveis podem ser explicados, por exemplo, pelos ganhos de produtividade da agroindústria brasileira, principalmente soja e carnes. Já a o aum

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