Rio de Janeiro, 17 de Agosto de 2026

Insegurança dentro de casa

Por David Corn - No início de agosto, quando começava uma reforma em seu rancho no Texas, durante suas férias, George W. Bush declarou aos repórteres: "aprendemos uma lição no dia 11 de setembro, de que nosso país é vulnerável a ataques. E estamos fazendo tudo que podemos para proteger a pátria." Tudo que podemos. Foi uma declaração ousada. Mas não precisa. (Leia Mais)

Quinta, 11 de Setembro de 2003 às 19:17, por: CdB

No início de agosto, quando começava uma reforma em seu rancho no Texas, durante suas férias, George W. Bush declarou aos repórteres: "aprendemos uma lição no dia 11 de setembro, de que nosso país é vulnerável a ataques. E estamos fazendo tudo que podemos para proteger a pátria." Tudo que podemos. Foi uma declaração ousada. Mas não precisa. De fato, foi mais uma das deturpações descaradas de sua presidência, de que áreas cruciais de segurança da nação - portos, indústrias químicas, contra-ataques de emergência, biodefesa - não estão
recebendo a atenção ou as verbas necessárias. Dois anos depois de exposta a vulnerabilidade do país, com o preço de 3.000 vidas, tudo não está sendo feito. Por quê? Por causa, em parte, das suposições estratégicas e ideológicas da Administração.

Eis aqui alguns recentes e problemáticos indicadores:

Em junho, uma força-tarefa do Conselho de Relações Exteriores - comandada pelo ex-Senador da Republica Warren Rudman - emitiu um relatório afirmando que "os Estados Unidos continuam perigosamente mal preparados para suportar um ataque catastrófico em solo americano". De acordo com este estudo, grande parte dos quartéis do Corpo de Bombeiros
sofrem com a falta de rádios e respiradores, e somente 10% estão aptos a lidar com o colapso de um edifício.

Departamentos de polícia por todo o país não possuem os equipamentos de proteção necessários para garantir a segurança de um local atingido por arma de destruição em massa. A maioria dos laboratórios de saúde pública não contam com pessoal ou equipamentos para reagir a ataques químicos ou biológicos. A força-tarefa calculou que o país deverá gastar $98.4 bilhões em verbas necessárias para contra-ataques de emergência nos próximos cinco anos. E um estudo publicado pela RAND em Agosto ressaltou a importância do relatório da
força-tarefa do CRE.

De acordo com um relatório elaborado em Junho pela Century Foundation's Homeland Security Project (Projeto de Segurança Nacional), "o Estado e governos locais têm se queixado de que
não podem se preparar melhor sem mais dinheiro. O governo federal prometeu $3.5 bilhões como ajuda, mas só $2.2 bilhões foram disponibilizados até agora."

Em Junho o Secretário de Segurança Nacional Tom Ridge anunciou a liberação de $300 milhões em verbas para o melhoramento da segurança nos portos. A Guarda Costeira, no entanto, estimou o valor necessário de $1 bilhão. Portos por todo o país requisitaram quase todo este valor para financiar 1.380 projetos de segurança. "Toda e qualquer ajuda é necessária, mas  realmente não chega nem perto do que é preciso" Maureen Ellis, porta-voz da Associação Americana de Autoridades Portuárias, relatou ao Baltimore Sun. Stephen Flynn, Comandante reformado da Guarda Costeira e membro superior do Conselho de Relações Exteriores, trabalhou em um estudo da CRE sobre terrorismo que precedeu o relatório sobre contra-ataques de emergência.

Ele reclama do governo que gastou apenas, aproximadamente, $10 milhões em segurança marítima. "Investimos muito pouco até agora", ele previne. Uma crítica feita pela Parceria para Serviços Públicos, uma organização não partidária, descobriu que o governo encontra-
se drasticamente com falta de funcionários médicos e científicos para empregar em seus programas de biodefesa.

Em julho passado, a Secretaria de Segurança de Transportes pediu ao Congresso permissão para reduzir 20% seu programa aéreo militar, na época em que o governo Bush emitia alertas
sobre ataques terroristas. Contrariando um decorrente mau PR, Ridge declarou que não haveria reduções no programa (Mais tarde ele anunciou sua transmissão para outro cargo). Desde
que vem recebendo $1 bilhão a menos do que o requisitado, a SST vem sendo obrigada a fazer cortes em outros programas. O governo Bush e o Congresso ainda devem tomar providências
para aumentar a segurança em indústrias químicas. Mais de 100 instalações em todo o país lidam com

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