Um inquérito militar americano recomendou nesta terça-feira que um sargento acusado de assassinar dois colegas no Iraque seja submetido a corte marcial, com possibilidade de ser condenado à morte. Esse é o único caso de homicídio entre membros das forças dos EUA desde a invasão do Iraque, em 2003. O coronel Patrick Reinert, responsável pelo inquérito, disse ter encontrado "fatores agravantes" que poderiam levar à execução do sargento Alberto Martínez. A decisão final sobre o caso será tomada pelo general John Vines, vice-comandante das forças no Iraque.
- Recomendo o julgamento por uma corte marcial geral - disse Reinert um dia depois de concluir a investigação no quartel Arifjan, base militar dos EUA localizada 60 quilômetros ao sul da Cidade do Kuwait.
Por circuito fechado de TV, jornalistas puderam acompanhar os trabalhos, realizados no Kuwait e não no Iraque por motivos de segurança.
- Não havia prova de que o acusado não era responsável mentalmente no momento dos crimes, afirmou Reinert. - Há base razoável para acreditar que ele cometeu os crimes alegados. Há causa razoável para acreditar que ele tinha a motivação e a oportunidade de cometer esses crimes - acrescentou.
Martínez é acusado de cometer homicídio doloso contra o comandante da sua companhia, capitão Philip Esposito, e contra o tenente Louis Allen, por meio de uma explosão em junho. Os três serviam na sede da 42ª Divisão de Infantaria, unidade de reservistas oriunda da Guarda Nacional do Exército de Nova York. O crime ocorreu dentro de um dos antigos palácios de Saddam Hussein em Tikrit.
Durante o inquérito, a promotoria sugeriu a realização de uma corte marcial, por se tratar de crime ocorrido em tempo de guerra. A defesa discordou, alegando que os Estados Unidos não estão envolvidos em atividades hostis no Iraque.
Reinert, que ouviu o depoimento de nove testemunhas da acusação durante a audiência pré-judicial de segunda-feira, disse ter baseado sua recomendação em vários fatores, inclusive no uso de uma mina em uma área confinada, o fato de o crime ter ocorrido em tempo de guerra e de que Martínez tenha sido indiciado por ambas as mortes.
O militar também sugeriu que Martínez seja indiciado por quatro outros crimes, inclusive furto e uso de uma arma de destruição em massa contra cidadãos dos EUA no exterior.
Um especialista em explosivos que examinou o local do crime disse aos investigadores que havia restos de uma mina Claymore na sala de Esposito. Como sargento, Martínez tinha acesso a esse tipo de artefato.
O major Matthew Ruzicka afirmou em seu depoimento que Esposito havia afastado Martínez das suas tarefas na área de suprimento e que a relação entre eles era ruim.
Martínez está detido em uma prisão militar do Kuwait e foi representado por dois advogados militares.
Em abril, outro sargento dos EUA, Hasan Akbar, foi condenado por ter lançado granadas e aberto fogo contra a tenda de dois oficiais, que morreram. O incidente ocorreu no Kuwait, às vésperas da invasão do Iraque, em março de 2003.
Akbar foi em seguida condenado à morte - o primeiro soldado dos EUA condenado pela morte de uma colega durante um conflito desde o Vietnã.