Rio de Janeiro, 11 de Setembro de 2026

Ingresso de produtos têxteis brasileiros na Argentina é tema da imprensa portenha

Sábado, 13 de Março de 2004 às 08:20, por: CdB

O governo argentino vai eliminar as licenças automáticas para o ingresso de 95% dos produtos têxteis brasileiros no país. O acordo que se estenderá até o final deste ano é tema hoje da imprensa argentina. O jornal El Clarín, de Buenos Aires, traz hoje uma matéria sobre as negociações comerciais que estão sendo feitas entre os dois governos antes da viagem do presidente Nestor Kirchner a Brasília, na próxima segunda-feira.

Segundo o jornal, o setor têxtil é um dos principais focos de conflito comercial entre os dois países. O "Clarín" diz, no entanto, que os dois governos chegaram a um acordo que contou com a colaboração dos empresários dos dois países.

Entre 2001 e 2003, as exportações têxteis do Brasil para a Argentina sofreram um incremento da ordem de 60%. Com o argumento de proteger a indústria local, o governo argentino anunciou medidas unilaterais para enfrentar o que eles chamaram de "invasão brasileira". Por causa disso, o governo estabeleceu a obrigação de licenças automáticas para importar produtos têxteis brasileiros.

O jornal destaca que, com o apoio do governo Lula, durante as negociações com o Fundo Monetário Internacional (FMI), avançou-se em uma estratégia comum entre os organismos multilaterais e o governo argentino decidiu rever a medida. Entre os principais pontos do acordo estão a eliminação das licenças automáticas para 95% dos produtos têxteis, o que deixa apenas 5% das importações têxteis fora do acordo, representados pelos tapetes. Não se chegou a um acordo sobre o preço internacional do produto.

Em contrapartida à medida, o governo brasileiro vai autolimitar suas vendas anuais de tecidos acrílicos. Neste setor, os exportadores brasileiros vão respeitar os preços internacionais do produto e não recorrerão ao dumping (venda do produto abaixo do preço de custo), considerado uma concorrência desleal. Uma outra contrapartida brasileira está na redução de 25% das vendas de denin, tecido usado na fabricação de jeans, para a Argentina. Os empresários brasileiros aceitaram esta limitação que será monitorada a cada quinze dias por ambos os governos.

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