Apesar do assassinato do brasileiro Jean Charles de Menezes, de 27 anos, a tiros, a polícia britânica defendeu neste domingo a política de atirar para matar suspeitos de serem homens-bomba. A polícia londrina admitiu a culpa pela morte, por engano, de um eletricista brasileiro durante a caçada pelos autores de ataques em Londres.
Embora o Brasil tenha exigido explicações formais da Grã-Bretanha, depois que a polícia matou Jean Charles em uma estação de trem no sul de Londres, o comissário da Polícia Metropolitana, Ian Blair, disse ao canal de TV Sky que os policiais estão se sentindo "muito confortáveis (na posição) de que a política (de atirar para matar) está certa, mas é claro que são tempos muito difíceis".
Questionado se as instruções eram de atirar para matar em caso de suspeita de homem-bomba, ele disse: "Correto. Elas têm que ser assim".
- Ainda está acontecendo, ainda há policiais tendo que fazer esses chamados enquanto falamos... Outra pessoa poderia ser atingida - acrescentou.
A polícia foi elogiada pelo trabalho depois dos ataques em Londres, mas a morte de um inocente provocou preocupações em relação aos direitos humanos. Líderes muçulmanos temem que membros da comunidade sejam alvo de ações, depois que a polícia identificou os homens-bomba de 7 de julho como britânicos muçulmanos.
- Dar permissão para pessoas atirarem para matar assim, com base em suspeita, é muito assustador - disse Azzam Tamimi, da Associação Muçulmana da Grã-Bretanha.
O ex-chefe da polícia de Londres John Stevens escreveu no jornal News of the World que enviou equipes para Israel a para outros países atingidos por ataques suicidas para treiná-los no combate a esses ataques.
Sem ligação
Blair disse que Menezes saiu de um bloco de apartamentos no sul de Londres que estava sendo vigiado em conexão com os ataques de quinta-feira e recusou as ordens da polícia para parar. Ele pediu desculpas aos parentes da vítima. Alex Pereira, primo de Menezes, disse à televisão BBC:
- Eles tinham que matar alguém para mostrar para toda a população que estão trabalhando e tornando o país seguro. Eu peço para as pessoas perguntarem à Polícia Metropolitana e a Tony Blair e a todos os responsáveis por isso: 'que tipo de trabalho estão fazendo?
A polícia britânica ainda não encontrou uma ligação entre as tentativas de ataque da última quinta-feira e as explosões de 7 de julho, apesar das similaridades. Segundo a mídia britânica, dois dos homens-bomba de 7 de julho participaram do mesmo passeio de barco em um rio de Gales que alguns dos suspeitos de 21 de julho.
A afirmação tem base em evidências encontradas nas mochilas deixadas na última quinta-feira. Detetives acreditam que a viagem pode ter sido usada como exercício, disseram fontes citadas na mídia.
O grupo Brigadas Abu Hafs al-Masri, que afirma ser ligado à Al Qaeda, disse ser responsável pelos ataques em Londres e pelas tentativas da última quinta-feira. Mas especialistas em segurança da Europa duvidaram das alegações do grupo em ataques anteriores.