Rio de Janeiro, 21 de Abril de 2026

Inglaterra se preocupa com o tom das ameaças iranianas

Quinta, 09 de Março de 2006 às 09:58, por: CdB

O governo da Grã-Bretanha disse, nesta quinta-feira, que encarava com seriedade as ameaças provenientes do Irã de que poderia causar "dor" para responder a quaisquer medidas adotadas pelo Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU) a fim de punir o governo iraniano devido a seu programa nuclear. Uma importante autoridade britânica envolvida na crise nuclear com o Irã disse à agência inglesa de notícias Reuters que a linguagem usada por um alto funcionário do governo iraniano já era conhecida. Esse funcionário afirmou na quarta-feira que o país poderia provocar "danos e dor" se recebesse alguma punição do Conselho de Segurança.

- Não houve nada explícito, mas essa é uma ameaça velada a respeito do uso da violência - disse a autoridade britânica.

Os comentários do Irã, surgidos depois de a Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) ter concordado com enviar o caso para o Conselho de Segurança, alimentou boatos de que os iranianos podem ajudar os insurgentes iraquianos a atacar soldados do Ocidente estacionados no Iraque.

- Os iranianos no Iraque dão apoio tanto às pessoas presentes nos partidos e organizações políticos quando às pessoas de milícias que não participam do processo político. E eles devem continuar a fazer isso - afirmou.

Os EUA e a União Européia (UE) desejam aumentar a pressão sobre o Irã a fim de que o país suspenda suas atividades no setor nuclear, atividades essas que, segundo acusam, poderiam ser usadas no desenvolvimento de bombas atômicas. O governo iraniano rebate essas acusações. Os comentários de quarta-feira, feitos pela autoridade iraniana para a área de segurança Javad Vaeedi, pareciam ter sido dirigidos principalmente aos EUA.

Mas, questionado sobre se a violência poderia atingir também a Grã-Bretanha, a autoridade britânica respondeu: "Neste momento, trata-se de uma ameaça retórica. Mas, como o Irã possui a tradição de usar a violência a fim de sustentar seus objetivos de política externa, temos de levá-la a sério."

Tecnologia

A autoridade também disse que, na sua opinião, o Irã poderia conseguir a tecnologia necessária para fabricar armas nucleares dentro de um ano. O país, porém, precisaria de mais tempo para efetivamente desenvolver uma bomba. Segundo a autoridade, a Grã-Bretanha pretendia usar a ONU como um canal por meio do qual seria possível lidar com o Irã.

Inicialmente, o Conselho de Segurança deve apenas divulgar um comunicado pedindo um relatório da AIEA sobre se o Irã tem cooperado e sobre se suspendeu suas atividades, afirmam diplomatas.

- Se o Irã não responder favoravelmente depois de certo período, e acho que o prazo estipulado (de 30 dias) é razoável, então penso que o Conselho de Segurança desejará retomar essa questão - afirmou.

No longo prazo, se o país islâmico não cooperar, o Conselho de Segurança da ONU pode avaliar a possibilidade de impor sanções, algo considerado difícil no panorama atual.

A Grã-Bretanha defende que a pressão sobre o Irã seja exercida por instituições multilaterais tais como o Conselho de Segurança, mas a autoridade britânica não descartou o uso de outros métodos.

- Se os avanços (dentro da ONU) forem insuficientes, talvez tenhamos de olhar para formas alternativas de conseguir isso - afirmou, citando o exemplo da África do Sul, que sofreu pressão e sanções de muitos países, em momentos diferentes e de várias formas nos anos 80.

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