Rio de Janeiro, 20 de Janeiro de 2026

Inglaterra revê decisão de levar príncipe à frente de batalha

As Forças Armadas britânicas desmentiram, nesta quinta-feira, relatos publicados em jornais dizendo que teriam proibido o príncipe Harry de combater no Iraque, mas reconheceram que seu envio à frente de guerra está sendo revisto. (Leia Mais)

Quinta, 26 de Abril de 2007 às 09:37, por: CdB

As Forças Armadas britânicas desmentiram, nesta quinta-feira, relatos publicados em jornais dizendo que teriam proibido o príncipe Harry de combater no Iraque, mas reconheceram que seu envio à frente de guerra está sendo revisto. Uma decisão de cancelar sua missão seria uma inversão constrangedora que poderia representar uma vitória de propaganda para os insurgentes, contradizer as afirmações britânicas e dos EUA de que o sul do Iraque está se tornando um lugar seguro e, de quebra, deixar o próprio príncipe revoltado.

Harry, terceiro na linha de sucessão ao trono britânico, deve embarcar para o Iraque nas próximas semanas com seu regimento "A" Esquadrão dos Azuis e Reais, como parte da mais recente rotação de tropas britânicas. Ele patrulharia o deserto num tanque leve Scimitar, usado em missões de reconhecimento.

- O envio do príncipe Harry ao Iraque, como sempre dissemos, é algo que está sob consideração constante. Ainda é nossa intenção que o príncipe Harry seja enviado como líder de tropas - disse uma porta-voz do Ministério da Defesa.

O príncipe já disse várias vezes que se matriculou na academia Sandhurst, que forma oficiais militares britânicos, com a intenção de servir na linha de frente. Mas o mês de abril vem sendo o mais mortífero para as tropas britânicas desde o primeiro mês da guerra do Iraque, e teme-se que a presença de Harry pudesse colocar os soldados que estiverem a seu lado em perigo ainda maior.

Entre os 11 soldados britânicos mortos no Iraque este mês estavam dois num tanque Scimitar explodido por uma bomba na província de Maysan. Foi o primeiro ataque bem-sucedido de insurgentes contra um tanque do tipo em que Harry se deslocaria. Nas últimas semanas, os insurgentes no sul do Iraque vêm usando bombas mais letais para atacar veículos blindados britânicos. Um amigo íntimo do príncipe William, irmão de Harry, estava entre os mortos este mês na explosão de um veículo Warrior de transporte de tropas.

O jornal diário mais vendido da Grã-Bretanha, o tablóide The Sun, informou na quinta-feira que comandantes do Exército ordenaram uma revisão de última hora do envio planejado de Harry para o Iraque. De acordo com fontes anônimas de alto escalão citadas pelo jornal, o resultado provável é que Harry seja proibido de chegar perto da linha de frente. O filho mais jovem do príncipe Charles e da falecida princesa Diana pode ainda ser enviado ao Iraque por seis meses, mas para cumprir funções burocráticas, disse o jornal.

Consta que o príncipe de 22 anos teria ameaçado abandonar o Exército se não for autorizado a servir na linha de frente. A família real britânica se orgulha de sua tradição militar. O príncipe Andrew, tio de Harry, era o segundo na linha de sucessão ao trono quando serviu na guerra das Malvinas, pilotando helicópteros para a Marinha Real.

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