A ingestão de alimentos ricos em gordura estimula a formação de memórias de longo prazo, aquela que não desaparece rapidamente.
Uma pesquisa, publicada pela revista Proceedings of the National Academy of Sciences,
se soma a um trabalho recente do mesmo grupo que havia apontado a relação entre gordura ingerida e controle do apetite e tem implicação importante no desenvolvimento de tratamentos para obesidade e outros distúrbios alimentares.
Os pesquisadores haviam identificado que os ácidos oléicos, obtidos a partir da hidrólise da gordura animal e de certos óleos vegetais, são transformados no intestino delgado em uma molécula chamada de oleoletanolamina (OEA).
A OEA envia mensagens de saciedade ao cérebro e, em níveis elevados, pode reduzir o apetite e promover a perda de peso e a diminuição de níveis de triglicérides e de colesterol.
Os cientistas norte-americanos e italianos descobriram que o OEA também causa a consolidação da memória, processo por meio do qual lembranças de curto prazo são transformadas em memórias de logo prazo, que podem ser armazenadas.
O processo ocorre por meio da ativação de sinais de estímulo na amígdala com a área cerebral envolvida com memórias e eventos emocionais.
Os pesquisadores observaram em roedores que a administração de OEA levou à melhoria na retenção da memória. Quando receptores celulares ativados pela substância foram bloqueados, os efeitos da retenção da memória diminuíram.
Gorduras são importantes para a saúde geral, ajudando na absorção de vitaminas e na proteção de órgãos vitais. Atualmente a dieta do homem é rica em gorduras, mas o mesmo não ocorreu com os primeiros humanos.
Na natureza, alimentos ricos em gordura são raros. Tamanha ajuda para a memória talvez não seja tão benéfica atualmente. Enquanto o oleoletanolamina contribui para a sensação de saciedade após uma refeição, ele pode também estimular a vontade de ingerir novamente alimentos ricos em gordura, que, quando consumidos em excesso, podem causar obesidade.
Drogas que simulam os efeitos do oleoletanolamina já estão sendo usadas em estudos clínicos para controle da triglicéride. Os pesquisadores pretendem investigar se tais compostos podem ajudar pessoas com déficit de memória.