A Royal Dutch/Shell ocultou informações sobre uma grande redução nas reservas de petróleo e gás natural da Nigéria, por medo de prejudicar sua relação de negócios com o governo do país, de acordo com reportagem publicada na sexta-feira pelo New York Times.
A Shell reduziu sua estimativa sobre as reservas de petróleo e gás natural pela segunda vez este ano na quinta-feira, causando um novo abalo para a confiança dos investidores depois de um primeiro corte na estimativa de reservas em janeiro, da ordem de 20 por cento.
Mencionando documentos internos da empresa datados do final de 2003, o jornal afirma que a Shell havia concluído que 1,5 bilhão de barris de petróleo, 60 por cento das reservas nigerianas, não atendiam aos padrões contábeis para registro como reservas comprovadas.
Um relatório de 8 de dezembro, preparado por Walter Van de Vijver, então diretor de prospecção e produção, recomendava que a reserva nigeriana revisada fosse considerada "confidencial, tendo em vista a sensibilidade do país anfitrião", informou o jornal.
Van de Vijver e Philip Watts, este último então presidente do conselho do grupo, foram derrubados em janeiro, depois da revelação de que as reservas haviam sido superestimadas.
Os mais importantes executivos da Shell foram informados em dezembro de que 720 milhões de barris das reservas nigerianas não atendiam às normas estabelecidas pela Securities and Exchange Commission (SEC), e que outros 814 milhões de barris podiam estar enquadrados na mesma situação, segundo o jornal.
A Shell registrou reservas comprovadas de 2,524 bilhões de barris na Nigéria no final de 2002. Mas, depois de revisar os cálculos e de adotar normas internas mais severas, constatou que apenas 990 milhões de barris atendiam aos requisitos, de acordo com o relatório de dezembro.
- A Shell ofereceu às autoridades nigerianas uma explicação sobre sua reclassificação de algumas reservas comprovadas, e confirmou para o governo que isso não terá impacto sobre as estimativas reportadas pela Shell sobre sua parcela das reservas nigerianas. As autoridades nigerianas parecem satisfeitas com as explicações da Shell - disse um porta-voz da empresa em Londres. A reclassificação da empresa incluía 1,3 bilhão de barris na Nigéria, disse.