Rio de Janeiro, 16 de Fevereiro de 2026

Informações da sessão secreta vazam por deputados federais

Quarta, 12 de Setembro de 2007 às 14:32, por: CdB

Os detalhes da sessão que avalia o processo por quebra de decoro do presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), deveriam ser secretos segundo as regras da casa, mas são divulgados por deputados que conseguiram participar da sessão com a decisão do Supremo Tribunal Federal (STF). O grupo se reveza, acompanha a sessão, e, na saída, divulga informações para jornalistas. Segundo os deputados, os oradores já concluíram seus discursos, haverá tempo para Renan Calheiros se defender e logo após deve começar a votação, prevista para terminar no início da noite.

Durante toda a tarde, a movimentação de deputados foi intensa no plenário do Senado. Entre os que passaram informações para imprensa estão: Paulo Pereira (PDT-SP), Vanderlei Macris (PSDB-SP), Barbosa Neto (PDT-PR), Antonio Carlos Pannunzio (PSDB-SP), Ibsen Pinheiro (PMDB-RS) e outros. Dois deputados se recusaram a dar detalhes sobre o andamento da sessão - José Eduardo Cardoso (PT-SP) e Onyx Lorenzoni (DEM-RS). Nenhum senador deixou a sessão para falar com jornalistas.

Um dos primeiros a repassar suas impressões foi o deputado Paulo Pereira, logo no início da tarde. Segundo ele, havia um clima “tranqüilo” e as falas dos senadores estavam muito baixas, sem microfone. Com isso, era difícil acompanhar os posicionamentos. Naquele momento, Paulinho dizia que o resultado era imprevisível. Na seqüência, o também pedetista Barbosa Neto afirmou que testemunhou alguns oradores e avaliou que havia uma tendência por absolver o presidente do Senado das acusações.

O tucando Valderlei Macris disse que acompanhou o discurso de quatro senadores na tribuna. Um deles, o seu colega de partido Sérgio Guerra, fez um apelo “muito dramático” para que o Senado se sintonize com a vontade da população brasileira, que gostaria de ver a cassação do senador. Segundo ele, a discussão da sessão já estava “tensa”. Pannunzio concordou que o clima era “pesado sem dúvida alguma”.
 
— Os discursos estão se sucedendo. No momento que entrei, todas as falas que ouvi foram pedindo a aprovação —, avaliou.

O deputado peemebista Ibsen Pinheiro presenciou um dos últimos oradores inscritos no plenário, o senador Pedro Simon (PMDB-RS). Pinheiro já foi presidente da Câmara e foi cassado por denúncias infundadas de corrupção. Segundo ele, o peemedebista Pedro Simon, que já havia declarado seu voto pela cassação de Renan, enfatizou que o presidente do Senado deveria ter se afastado antes de a crise chegar a esse ponto.

Renan Calheiros enfrenta um processo por quebra de decoro parlamentar após uma representação do P-SOL, baseada em uma reportagem da revista Veja. O texto diz que o senador tinha contas pessoais pagas por um funcionário da construtora Mendes Júnior. Entre elas, a pensão da filha com a jornalista Mônica Velloso.

Uma perícia da Polícia Federal mostrou que os documentos apresentados por Renan Calheiros, “isoladamente”, não comprovam que ele tinha recursos suficientes para fazer os pagamentos. O Conselho de Ética e a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) aprovaram o relatório dos senadores Renato Casagrande (PSB-ES) e Marisa Serrano (PSDB-MS) com uma lista de oito argumentos contra Renan. Por isso, foi encaminhado ao plenário do Senado.

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