Os detalhes da sessão que avalia o processo por quebra de decoro do presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), deveriam ser secretos segundo as regras da casa, mas são divulgados por deputados que conseguiram participar da sessão com a decisão do Supremo Tribunal Federal (STF). O grupo se reveza, acompanha a sessão, e, na saída, divulga informações para jornalistas. Segundo os deputados, os oradores já concluíram seus discursos, haverá tempo para Renan Calheiros se defender e logo após deve começar a votação, prevista para terminar no início da noite.
Durante toda a tarde, a movimentação de deputados foi intensa no plenário do Senado. Entre os que passaram informações para imprensa estão: Paulo Pereira (PDT-SP), Vanderlei Macris (PSDB-SP), Barbosa Neto (PDT-PR), Antonio Carlos Pannunzio (PSDB-SP), Ibsen Pinheiro (PMDB-RS) e outros. Dois deputados se recusaram a dar detalhes sobre o andamento da sessão - José Eduardo Cardoso (PT-SP) e Onyx Lorenzoni (DEM-RS). Nenhum senador deixou a sessão para falar com jornalistas.
Um dos primeiros a repassar suas impressões foi o deputado Paulo Pereira, logo no início da tarde. Segundo ele, havia um clima “tranqüilo” e as falas dos senadores estavam muito baixas, sem microfone. Com isso, era difícil acompanhar os posicionamentos. Naquele momento, Paulinho dizia que o resultado era imprevisível. Na seqüência, o também pedetista Barbosa Neto afirmou que testemunhou alguns oradores e avaliou que havia uma tendência por absolver o presidente do Senado das acusações.
O tucando Valderlei Macris disse que acompanhou o discurso de quatro senadores na tribuna. Um deles, o seu colega de partido Sérgio Guerra, fez um apelo “muito dramático” para que o Senado se sintonize com a vontade da população brasileira, que gostaria de ver a cassação do senador. Segundo ele, a discussão da sessão já estava “tensa”. Pannunzio concordou que o clima era “pesado sem dúvida alguma”.
— Os discursos estão se sucedendo. No momento que entrei, todas as falas que ouvi foram pedindo a aprovação —, avaliou.
O deputado peemebista Ibsen Pinheiro presenciou um dos últimos oradores inscritos no plenário, o senador Pedro Simon (PMDB-RS). Pinheiro já foi presidente da Câmara e foi cassado por denúncias infundadas de corrupção. Segundo ele, o peemedebista Pedro Simon, que já havia declarado seu voto pela cassação de Renan, enfatizou que o presidente do Senado deveria ter se afastado antes de a crise chegar a esse ponto.
Renan Calheiros enfrenta um processo por quebra de decoro parlamentar após uma representação do P-SOL, baseada em uma reportagem da revista Veja. O texto diz que o senador tinha contas pessoais pagas por um funcionário da construtora Mendes Júnior. Entre elas, a pensão da filha com a jornalista Mônica Velloso.
Uma perícia da Polícia Federal mostrou que os documentos apresentados por Renan Calheiros, “isoladamente”, não comprovam que ele tinha recursos suficientes para fazer os pagamentos. O Conselho de Ética e a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) aprovaram o relatório dos senadores Renato Casagrande (PSB-ES) e Marisa Serrano (PSDB-MS) com uma lista de oito argumentos contra Renan. Por isso, foi encaminhado ao plenário do Senado.
Informações da sessão secreta vazam por deputados federais
Quarta, 12 de Setembro de 2007 às 14:32, por: CdB