Rio de Janeiro, 02 de Maio de 2026

Inflação surpreende e sobe além do previsto em outubro

A inflação pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) acelerou mais que o esperado em outubro e registrou a maior taxa desde abril, devido à reversão da queda dos custos de alimentos. (Leia Mais)

Quinta, 10 de Novembro de 2005 às 10:04, por: CdB

A inflação pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) acelerou mais que o esperado em outubro e registrou a maior taxa desde abril, devido à reversão da queda dos custos de alimentos e à continuidade do impacto do reajuste dos combustíveis. O dado levou o mercado a ajustar para cima suas projeções para 2005, mas não reverter as expectativas de desaceleração da inflação em novembro e dezembro.

O IPCA subiu 0,75% em outubro, seguindo a taxa de 0,35% em setembro informou o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) nesta quinta-feira. Analistas estimavam uma variação média de 0,52% para o índice.

- O IPCA mostrou focos de pressão, não espalhados, mas são números mais salgados do que a gente previa. A projeção do BC de trabalhar com um número abaixo da meta neste ano não é mais possível. Colocando esse dado (de outubro) nas previsões (do ano), elas passam para 5,3%, 5,4% - disse Alexandre Maia, economista-chefe da GAP Asset Management.

Os núcleos do índice também aceleraram, embora em ritmo menor. Pelo critério de médias aparadas com suavização a alta foi de 0,58% em outubro, ante 0,50% em setembro. Sem suavização, ele subiu 0,50%, ante 0,34% no mês anterior. O núcleo por exclusão - sem alimentos no domicílio e preços monitorados - avançou 0,38 % em outubro, comparado a 0,30 % anterior.

- Teve uma alta forte no item dos Transportes, mas é pontual, não estou vendo como um problema, (mesmo porque) os núcleos continuam rodando compatíveis com as metas - afirmou Adauto Lima, economista do WestLB do Brasil.

Combustíveis

Os preços de Transportes aumentaram 2,21%, a maior variação dos grupos do índice, sendo responsável por 0,49 ponto percentual ou 65% do IPCA do mês. Os preços de gasolina avançaram 4,17%, com impacto de 0,18 ponto percentual sobre a taxa, a maior contribuição individual. Apesar disso, o preço da gasolina representou 24% do IPCA de outubro, abaixo do registrado em setembro, quando esse preço respondeu por 40% do índice. Os custos do álcool combustível avançaram 10,48% em outubro.

O grupo Transportes foi impactado ainda pelos aumentos de passagens aéreas (11,06%) e de ônibus urbanos (1,10%). Os analistas ouvidos após a divulgação disseram esperar para novembro uma inflação próxima de 0,40%.

- (O grupo) Transportes bate neste mês (outubro), mas em novembro não tem mais esse impacto... Espero 0,37 % para novembro - disse Jason Vieira, economista da Global Invest.

Os preços de alimentos avançaram 0,27 em outubro, interrompendo quatro meses de queda. Em setembro, esses preços recuaram 0,25%. A carne subiu 4,20% e o frango, 3,90%.

- Em período de entressafra, a crise na pecuária bovina propiciou aumentos nos preços do setor - disse o IBGE em comunicado.

Outras pressões em outubro vieram de vestuário, com avanço de 0,72% devido às vendas da coleção primavera-verão. Os serviços de Plano de saúde registraram elevação de 0,95%, seguidos por recreação, com alta de 0,85%, e condomínio, com 0,81%. O IPCA acumula no ano elevação de 4,73% e nos últimos 12 meses, de 6,36%.

O IPCA mede a variação dos preços para famílias com renda de até 40 salários mínimos nas regiões metropolitanas de São Paulo, Rio de Janeiro, Belém, Fortaleza, Recife, Salvador, Belo Horizonte, Curitiba, Porto Alegre, Brasília e Goiânia.

A maior variação do IPCA foi apurada em Salvador, de 1,26%, e a menor, no Rio de Janeiro, de 0,34%. Em São Paulo, o índice subiu 0,92%. O Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC) teve alta de 0,58% em outubro, acima da taxa de 0,15% em setembro. O INPC mede a variação dos preços para famílias com rendimento de até 8 salários.

Fipe

Dados divulgados nesta quinta-feira pela Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe), da Universidade de São Paulo (USP), constatam que a inflação do município de São Paulo desacelerou para 0,59% na primeira quadrissemana d

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