Rio de Janeiro, 22 de Outubro de 2026

Inflação sobe nos EUA acima do previsto

Terça, 19 de Agosto de 2008 às 09:57, por: CdB

Os preços no atacado dos Estados Unidos subiram em julho com a maior taxa anualizada desde 1981, e o ritmo de construção de moradias diminuiu em meio à fartura de casas prontas que ainda não foram vendidas, mostraram dados do governo nesta terça-feira. Os relatórios ofereceram pouco alento ao Federal Reserve, que torce para que a desaceleração econômica freie a inflação e permita que a taxa de juro não seja elevada.

O Índice de Preços ao Produtor (PPI, na sigla em inglês) do Departamento de Trabalho, que mede o custo dos produtos no atacado, subiu 1,2% em julho após alta de 1,8% no mês anterior. O núcleo dos preços, que exclui alimentos e energia, saltou 0,7% após alta de 0,2% em junho. Economistas ouvidos pela agência inglesa de notícias Reuters esperavam que os preços ao produtor subissem só 0,6% em julho, com alta de 0,2% do núcleo. A queda acentuada do petróleo desde o meio de julho fez muitos investidores pensarem que as pressões inflacionárias estavam cedendo.

A alta do núcleo do índice de inflação assustou o mercado financeiro, com queda das ações. O dólar subia ante outras moedas em meio à perspectiva de um aumento do juro.

– Não tem nada de bom nisso. A inflação está mais sistêmica do que nos fizeram acreditar com base nos últimos números, e isso vai continuar a aparecer nos dados do CPI (inflação no varejo) nos próximos meses. A questão é se os investidores podem esquecer isso, considerando que o preço do petróleo caiu. O Fed está preso entre a cruz e a caldeira – disse Marc Pado, estrategista de mercado da Cantor Fitzgerald & Co, em San Francisco.

Em outro relatório, o Departamento de Comércio informou que o início de construção de moradias nos Estados Unidos caiu 11% em julho, para a menor taxa anualizada em 17 anos. A concessão de alvarás despencou 17,7%. A taxa anualizada de início de construção de moradias ficou em 965 mil, pouco acima da expectativa de 960 mil de Wall Street. Ainda assim, foi o resultado mais baixo desde março de 1991.

Em junho, o início de construções no país havia subido 10,4 por cento, em dado originalmente informado como alta de 9,1%. A concessão de alvarás, indicador de atividade futura de construção, recuou para uma taxa anualizada de 937 mil, bem abaixo da previsão de 970 mil de analistas ouvidos pela Reuters. É o menor nível desde março.

As casas para uma família, principal tipo entre as novas moradias, tiveram performance especialmente fraca. A taxa anualizada de 641 mil casas com início de construção foi a menor desde janeiro de 1991, e a concessão de alvarás a mais baixa desde agosto de 1982.

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