A inflação tem recuado diante da política do governo de manter as taxas de juros em alta, nos últimos meses
Economistas de instituições financeiras voltaram a antever que a Selic encerrará 2015 a 12%, contra 11,75% na semana anterior, e elevaram as projeções para a inflação tanto neste ano quanto no próximo, de acordo com a pesquisa Focus do Banco Central (BC) divulgada nesta segunda-feira. Para este ano, o cenário visto pelos economistas para a Selic não mudou, com a expectativa de que a taxa básica de juros encerre nos atuais 11%.
Já as estimativas para o IPCA subiram respectivamente a 6,27% e 6,28% em 2014 e 2015, contra 6,25 em ambos os casos anteriormente. O boletim Focus, do BC, mostrou ainda que a estimativa para o crescimento econômico neste ano continuou em trajetória de queda, com a perspectiva de que o Produto Interno Bruto (PIB) crescerá 0,70%, sobre 0,79% na pesquisa anterior.
Diante do quadro de aparente dificuldade, o Índice de Confiança do Consumidor (ICC) caiu 4,3% entre julho e agosto deste ano, depois de duas altas consecutivas, segundo dados divulgados nesta manhã, pela Fundação Getulio Vargas (FGV). O indicador atingiu 102,3 pontos, o menor patamar desde abril de 2009 (99,7 pontos).
Houve piora tanto na confiança em relação ao momento presente quanto na expectativa para os próximos meses. O subíndice da Situação Atual, que avalia o momento presente, caiu 5,1% e chegou a 107,2 pontos, o menor patamar desde maio de 2009 (103 pontos).
O grau de satisfação dos consumidores em relação à economia recuou 13,6%. A proporção de consumidores que avaliam a situação como boa diminuiu de 16,7% para 12,5%, enquanto aqueles que a julgam ruim aumentaram de 41% para 47,1%.
Já o subíndice de Expectativas, que mede a confiança em relação ao futuro, recuou 1,1%, atingindo 100,1 pontos, o menor patamar desde março de 2009 (97,6 pontos). O grau de otimismo em relação ao futuro caiu 3,9%. A parcela de consumidores que esperam melhora da economia diminuiu de 22,9% para 22,1%, enquanto o percentual daqueles que preveem piora avançou de 28,4% para 30,3%.
Inflação real
O Índice de Preços ao Consumidor Semanal (IPC-S) teve ligeiro decréscimo ao atingir variação de 0,06% na terceira prévia de agosto. Essa taxa é 0,02 ponto percentual inferior ao registrado na última apuração (0,08%). O levantamento feito pelo Instituto Brasileiro de Economia (Ibre) da Fundação Getulio Vargas (FGV) mostra que, entre os oito grupos analisados, o de habitação foi o que mais influenciou o resultado, ao passar de uma alta de 0,39% para 0,27%, com destaque para a perda de ritmo na correção da conta de luz (de 1,42% para 0,57%), no momento da apuração do índice.
Houve contribuição também dos grupos comunicação (de -0,05% para -0,34%); educação, leitura e recreação (de 0,36% para 0,28%); vestuário (de -0,61% para -0,70%) e despesas diversas (de 0,16% para 0,14%). Já em alimentação foi constatada recuperação dos preços com taxa ainda negativa (-0,01%), mas com queda menos intensa do que na pesquisa anterior (-0,05%). O mesmo ocorreu em transportes (de -0,14% para -0,06%) com o aumento da cotação do automóvel usado (de -0,28% para 0,26%). Em saúde e cuidados pessoais, o índice subiu de 0,19% para 0,27%) apresentaram aceleração em suas taxas de variação.
As cinco maiores pressões inflacionárias foram verificadas nos seguintes itens: refeições em bares e restaurantes (0,53%); aluguel residencial (0,62%); show musical (5,29%); plano e seguro de saúde (0,72%) e leite tipo longa vida (3,21%). Os cinco itens com as menores oscilações foram: batata-inglesa (24,22%); diárias de hotel (3,87%); tomate (7,16%); tarifa de telefone residencial (-1,11%) e gasolina (-0,55%).
Tags:
Relacionados
Edições digital e impressa
Utilizamos cookies e outras tecnologias. Ao continuar navegando você concorda com nossa política de privacidade.