A inflação no próximo ano vai superar a de 2013
A inflação dos produtos na saída das fábricas sem frete e impostos, medida pelo Índice de Preços ao Produtor (IPP), ficou em 1,5% em janeiro deste ano. A taxa é superior à observada em dezembro (0,6%) e em janeiro de 2013 (-0,1%). Em 12 meses, o IPP acumula inflação de 7,38%, segundo dados divulgados nesta sexta-feira, pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
Em janeiro, 19 das 23 atividades pesquisadas tiveram aumento nos preços, com destaque para refino de petróleo e produtos de álcool (4,51%), metalurgia (4,26%), móveis (3,16%) e fumo (3,14%). O refino de petróleo e álcool teve a maior inflação da série história do IPP, iniciada em janeiro de 2010. Houve aumentos de preços no óleo diesel, querosenes e álcool etílico, entre outros.
Os alimentos tiveram queda de preços de 1,25% e ajudaram a frear a inflação em janeiro. Entre os produtos que mais contribuíram para essa deflação estão resíduos da extração de soja, açúcar cristal, leite longa vida e carnes de bovinos frescas ou refrigeradas. De acordo com o IBGE, a redução dos preços foi provocada por maior oferta de safra, no caso da soja e do leite, e por demanda menos acentuada, no caso da carne.
Pessimismo
Diante do quadro de resiliência inflacionária, o consumidor brasileiro está pessimista, de acordo com o Índice Nacional de Expectativa do Consumidor (Inec) de fevereiro, divulgado pela Confederação Nacional da Indústria (CNI), nesta manhã. O Inec registrou queda de 4,5% em relação a janeiro, atingindo 108,8 pontos, o menor nível desde junho de 2009. O Inec havia crescido 2,4% em janeiro sobre dezembro.
Segundo a CNI, o Inec de fevereiro demonstra haver "apreensão do consumidor com o ambiente macroeconômico". Todos os seis componentes do Inec registraram recuo tanto na comparação com o mês anterior quanto em relação a fevereiro de 2013. O índice de expectativa do desemprego recuou 11% sobre janeiro, refletindo aumento no percentual dos consumidores que esperam elevação do desemprego nos próximos seis meses.
Com 99,4 pontos, o índice de expectativa da inflação recuou 4% em fevereiro sobre janeiro, no terceiro mês consecutivo de queda. Esse resultado representa, segundo a CNI, "uma crescente preocupação com a evolução futura dos preços".
Também houve queda no índice de expectativa de evolução da renda pessoal, com redução de 3,6% em relação a janeiro, enquanto o índice de situação financeira caiu 3,4%. O índice da perspectiva de endividamento caiu 3,2% em fevereiro, revelando aumento da preocupação com as dívidas pessoais. O indicador mostrou também que diminuiu a quantidade de consumidores dispostos a comprar bens de maior valor, com queda de 3% no indicador na comparação com janeiro. O Inec foi calculado com base em 2.002 entrevistas feitas pelo Ibope Inteligência entre 13 e 17 de fevereiro.
Confiança
Embora não tenha havido qualquer sinal de redução no nível de compras dos consumidores, o Índice de Confiança do Comércio (Icom), da Fundação Getulio Vargas (FGV), também observou uma queda de 1,2% no trimestre finalizado em fevereiro deste ano, na comparação com o mesmo período do ano passado. No trimestre finalizado em janeiro, o índice tinha caído 1,6%.
A queda foi provocada pela percepção do empresário do comércio em relação ao futuro, que piorou 4,4% no trimestre finalizado em fevereiro, na comparação com o mesmo período do ano anterior. Por outro lado, a confiança em relação ao momento presente melhorou 1,3% no período.
Entre os segmentos do comércio, apenas o comércio atacadista teve aumento (0,3%). No varejo restrito, houve queda de 0,5% em fevereiro. No segmento de veículos, motocicletas e peças, a confiança caiu 7,6%. O setor de material de construção registrou recuo de 3,1%.
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