Rio de Janeiro, 08 de Setembro de 2026

Inflação segue alta mas tende a cair em 2015, diz BC

A inflação brasileira continua elevada e deve subir no curto prazo e continuar alta em 2015, sob a pressão do câmbio e dos preços administrativos, mas ainda no próximo ano ela entra em um "longo período de declínio", informou o Banco Central nesta quinta-feira.

Quinta, 11 de Dezembro de 2014 às 09:51, por: CdB

A inflação brasileira continua elevada e deve subir no curto prazo e continuar alta em 2015, sob a pressão do câmbio e dos preços administrativos, mas ainda no próximo ano ela entra em um "longo período de declínio", informou o Banco Central nesta quinta-feira.

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O IPCA acumulou alta de 6,56% em 12 meses até novembro
Por meio da ata do Comitê de Política Monetária (Copom), o BC justificou a decisão de acelerar "neste momento" a alta da Selic a 0,5 ponto percentual na semana passada, para 11,75% ao ano, argumentando que o balanço de riscos para a inflação está "menos favorável". Mas repetiu que os efeitos cumulativos e defasados da política monetária sustentam a visão de que o "esforço adicional" deve ser feito com "parcimônia". Na semana passada, boa parte dos especialistas havia entendido que o BC deixara em aberto a possibilidade de voltar a desacelerar em breve o aperto. Isso porque, na avaliação deles, o BC estaria à espera de sinais concretos de como será a política fiscal da nova equipe econômica, formada por Tombini e os ministros indicados Joaquim Levy (Fazenda) e Nelson Barbosa (Planejamento). O novo ciclo de aperto começou em outubro passado, quando o BC elevou a Selic em 0,25 ponto percentual. As colocações na ata repetem parte do discurso feito por Tombini na terça-feira em audiência pública no Congresso Nacional, quando já havia dito que a inflação continuaria pressionada nos próximos meses, mas que o BC trabalha para colocá-la em trajetória de convergência para o centro da meta até final de 2016. Pela ata, o Copom também defendeu que a política fiscal tende a ir para a "zona de neutralidade", mas não descarta que possa ir para "a zona de contenção fiscal". Tombini já havia dito que a meta de superávit primário de 2015, recentemente anunciada, é neutra ou "ligeiramente contracionista". "Quanto mais apertada a política fiscal, tanto melhor para a autoridade monetária", afirmou. O BC também não piorou suas projeções de inflação pela ata. Sem citar números, pelo cenário de referência, informou que a inflação reduziu em 2014 e manteve-se "relativamente estável" em 2015, mas se encontram acima do centro da meta, de 4,5% pelo IPCA, com margem de 2 pontos percentuais para mais ou menos. E repetiu que, nos três primeiros trimestres de 2016, "apesar de indicarem que a inflação entra em trajetória de convergência", as projeções também estão acima da meta. O IPCA acumulou alta de 6,56% em 12 meses até novembro. O BC voltou a repetir que os preços relativos --câmbio e preços administrados-- continuam pressionando a inflação. A autoridade monetária manteve a estimativa de alta de 5,3% e 6% dos preços administrados em 2014 e 2015, respectivamente, mas elevou a conta de 2016 a 5,2%, frente aos 4,9% anteriores. Para a economista da consultoria Tendências Alessandra Ribeiro, pela ata o BC sinalizou que não vê necessidade de a Selic ficar tão alta e, por isso, acredita que já em janeiro, a intensidade da alta da taxa vai ser reduzida, a 0,25 ponto percentual, encerrando o atual ciclo de aperto. Uma alta mais forte do dólar sobre o real poderia mudar o cenário de "parcimônia" do BC, avaliam os especialistas, pressionando a inflação ainda mais. Só entre setembro e novembro, o moeda norte-americana mostrou valorização de quase 15% sobre o real e, no ano, acumulava alta de quase 11% até quarta-feira. Sobre atividade, o Copom repetiu que o crescimento neste ano será menor do que em 2013, mas tende a entrar em trajetória de recuperação no segundo semestre do próximo ano.

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