O Índice de Preços ao Consumidor Semanal (IPC-S) sofreu aceleração de 0,76% na segunda prévia de abril, após alcançar 0,64% na primeira prévia do mês, informa o relatório da Fundação Getúlio Vargas (FGV) divulgado nesta quarta-feira. Analistas financeiros ouvidos pelo Banco Central, esta semana, calcularam que haveria aumento da taxa, embora as previsões, na média, ficassem em 0,71. Os aumentos de preços ocorreram, basicamente, em duas das sete classes de despesas que integram o IPC-S.
As maiores variações positivas de preços ocorreram no grupo Vestuário, que saiu de uma retração de 0,01% na primeira prévia do mês para uma alta de 0,57% na segunda leitura de abril.
O grupo Alimentação voltou a subir fortemente. A aceleração saiu de um patamar relativamente alto, de 1,21% na semana anterior, para 1,70% na leitura atual.
Juros em perspectiva
O aumento da inflação é o tema central da reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), reunido desde a tarde desta terça-feira para decidir se mantém a taxa básica de juros (Selic) no atual patamar, de 11,25% ao ano, ou se a aumenta em 0,25 pontos percentuais, segundo estimativa dos analistas financeiros. Esta é a terceira reunião do ano do Copom e, na manhã desta quarta-feira, os integrantes avaliavam as exposições sobre a realidade de cada área e as tendências no Brasil e no exterior, distribuídas na véspera.
Tanto o BC quanto as instituições financeiras pregam a necessidade de correção da Selic, com a justificativa de que a inflação está acima do centro da meta de 4,5%, definida pelo Conselho Monetário Nacional (CMN). Nos últimos 12 meses (terminados em março) o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) acumulou 4,73%, e a perspectiva para este ano aponta inflação ligeiramente acima da meta, em razão de pressão provocada principalmente pelos preços de alguns alimentos.
Segunda opinião
Há vozes dissonantes, no entanto, no panorama econômico do país. A classe empresarial defende a redução da taxa de juros como forma de baratear os empréstimos bancários para investimentos no setor produtivo. O presidente da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), Paulo Skaf, lembra que o aumento de preços dos alimentos está vinculado ao reajuste de produtos agrícolas com cotação internacional, as chamadas commodities. Portanto, segundo ele, a causa momentânea da inflação é externa, e não justifica o aperto monetário interno.
Para Delfim Netto - ex-ministro da Fazenda durante dois governos da ditadura militar que vigorou no país entre os anos de 1964 e 1986, responsável, na época, pelo 'Milagre Econômico' - "hoje o Banco Central e os banqueiros dançam um minueto".
- A elevação dos juros, nas condições atuais da economia, é desnecessária. Mas o mercado dá um passinho pra cá e o Copom dá um passinho pra lá numa dança que não interessa ao desenvolvimento do país - concluiu.