O Índice Geral de Preços-Disponibilidade Interna (IGP-DI) sofreu uma elevação de 0,70% em março, acima da alta de 0,38% verificada em fevereiro, divulgou a Fundação Getúlio Vargas (FGV) nesta segunda-feira. O Índice de Preços por Atacado (IPA), um dos componentes do IGP-DI, subiu 0,80%, após alta de 0,52% em fevereiro. O dado poderá influenciar na reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), que se reúne na semana que vem para definir o patamar dos juros oficiais no país.
Também observou uma elevação o Índice de Preços ao Consumidor (IPC), em fevereiro, chegando 0,45% de valorização. No primeiro mês do ano, o indicador não variou (0,00%). O Índice Nacional de Custo da Construção (INCC) também subiu, em 0,66%, no mês de março, numa variação menor se comparada à alta de 0,40% em fevereiro. Uma das ações previstas pelo governo para conter o aumento da inflação no país é o corte dos gastos oficiais.
O Ministério do Planejamento prevê, para os próximos dias, a conclusão do decreto que definirá a programação dos gastos do orçamento neste ano, com um contingenciamento de cerca de R$ 20 bilhões. Segundo o secretário do Tesouro Nacional, Arno Augustin, o Orçamento precisa se adaptar à perda de R$ 40 bilhões de receita, com o fim da Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira (CPMF), para que seja mantido o superávit primário de R$ 20,4 bilhões acumulado nos dois primeiros meses deste ano, equivalente a 4,59% do Produto Interno Bruto (PIB).
- O governo vai ajustar o orçamento à realidade. Sem a CPMF, haverá um contingenciamento de algo como R$ 20 bilhões. Não é justo dizer que não há esforço de contenção de despesas pelo governo federal - disse.
Segundo Augustin, a contenção de despesas deve ocorrer principalmente na área de custeio, para que seja mantido o ritmo de investimentos, sem aumentar a pressão sobre os preços no país.
- É desejável manter o ritmo de crescimento forte dos investimentos e cortar outras despesas - afirmou.
Ponto negativo
A fórmula de reduzir os gastos da União e aumentar a taxa de juros, segundo analistas do mercado financeiro, é suficiente para conter a inflação, que apresenta sinais intermitentes de alta nas últimas semanas. Mas ao elevar a taxa Selic, o país corre o risco de "amortecer" o crescimento do setor industrial, na avaliação do economista chefe da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Flávio Castelo Branco. O economista avaliou, entretanto, que o impacto depende do "tamanho" da alta e do período em que seria mantida.
Em recente entrevista, Castelo Branco explicou que, quando há aumento dos juros, há saída de investimentos na produção para as aplicações financeiras, o que reverte as expectativas das empresas.
- Na eventualidade dessa alta de juros, acho que vamos ter um sinal negativo para os mercados. A taxa de juros vai ter um impacto sobre a expectativa de crescimento, de consumo, e isso pode contaminar negativamente algumas decisões de investimentos que estão para ser tomadas - disse.
A política industrial, disse o economista, prevista para ser divulgada este mês, e a elevação dos juros, que poderia ocorrer na próxima semana na reunião do Comitê de Política Monetária nos dias 15 e 16 de abril, seriam "anúncios que não soam na mesma direção".
Na ata da última reunião do Copom e no relatório Trimestral de Inflação, o Banco Central mostrou preocupação com o descompasso entre demanda (procura por produtos e serviços) e oferta, o que poderia levar ao aumento da inflação. Atualmente, a Selic está em 11,25%. Para definir a taxa básica de juros, o Comitê de Política Monetária (Copom) leva em consideração fatores como trajetória de inflação e cenário externo.
Para Castelo Branco a elevação dos juros básicos seria uma decisão precipitada. "Os dados [divulgados hoje pela CNI] mostram que não há pressão do setor industrial para o lado da oferta. Tivemos aumento da produção, sim