Rio de Janeiro, 01 de Abril de 2026

Inflação oficial sobe, mas dentro do que estava previsto

Sexta, 11 de Agosto de 2006 às 09:09, por: CdB

O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) subiu quase o dobro de julho, mas a alta já era esperada e não preocupa já que, segundo analistas, coloca a inflação em um patamar sustentável e mais condizente com a economia brasileira. Maiores custos de Transportes e Alimentação fizeram o IPCA subir 0,19%, depois de ter registrado deflação de 0,21% em junho, informou o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) nesta sexta-feira. Analistas de mercado, consultados pelo Correio do Brasil, acreditavam que a alta, em média, seria de 0,16% para o índice no mês passado.

- Não é uma alta capaz de preocupar ninguém. A inflação vem se comportando muito bem - afirmou um economista do Bradesco.

A previsão de muitos analistas é de que nos próximos meses a inflação se estabilize entre 0,20% e 0,30%. Os núcleos do IPCA também aceleraram em julho, mas dentro do esperado.

O núcleo por exclusão passou de queda de 0,16% em junho para alta de 0,14% em julho, de acordo com o cálculo de analistas. O por médias aparadas com suavização passou de 0,30% para 0,29% e o sem suavização foi de 0,07% em junho para 0,20% em julho. Apesar da alta dos indicadores, a variação acumulada pelo IPCA nos sete primeiros meses de 2006, de 1,73%, ainda está abaixo do centro da meta fixada pelo governo para o ano, de 4,5%.

Nos últimos 12 meses, o IPCA acumula alta de 3,97%, ficando abaixo de 4% pela primeira vez desde junho de 1999.

Tarifas

A variação dos preços do grupo Transporte passou de uma queda de 0,93%, apurada em junho, para uma alta de 0,37% em julho. Dentro do grupo, destaque para os preços da gasolina, que subiram 0,81%, e do álcool, com alta de 1,04%. Além disso, houve reajuste nas tarifas de ônibus interestaduais e intermunicipais, que avançaram 6,64% no índice. Os preços de Alimentos elevaram-se em 0,09% no mês passado, depois de caírem 0,61% no anterior. Os destaques foram as frutas (+8,14%) e arroz (+4,33%).

Algumas tarifas registraram queda e ajudaram a conter a alta do IPCA. Os preços de energia elétrica recuaram 0,73%, refletindo a redução na conta de algumas das regiões pesquisadas. Os custos de telefonia fixa declinaram 0,27%, devido a uma redução anunciada para o país em julho.

A divulgação desta sexta-feira trouxe uma atualização do IPCA, feita com base na Pesquisa de Orçamentos Familiares (POF) 2002-2003. Até então, era utilizada a POF de 1995-1996. As principais mudanças vieram nos pesos dos produtos. Entre as inclusões destacam-se gás veicular e acesso à Internet, que anteriormente não eram pesquisados. O IBGE informou ainda que o Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC) registrou inflação de 0,11% em julho, após deflação de 0,07% no mês anterior.

O IPCA mede a variação dos preços para famílias com renda de até 40 salários mínimos nas regiões metropolitanas de São Paulo, Rio de Janeiro, Belém, Fortaleza, Recife, Salvador, Belo Horizonte, Curitiba, Porto Alegre, Brasília e Goiânia.

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