A inflação medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo-15 (IPCA-15) ficou abaixo do esperado em julho, influenciada pela desaceleração nos preços de alimentos. O indicador teve alta de 0,22% neste mês, ante avanço de 0,38% em junho, informou o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), nesta sexta-feira. A mediana das previsões de 33 economistas consultados pela Reuters apontava inflação de 0,38%, resultado de estimativas de 0,25 a 0,42%.
De acordo com o IBGE, o grupo Alimentação e Bebidas passou de uma alta de 0,70% em junho para 0,33% este mês, influenciado principalmente pela alta menor do leite pasteurizado (de 12,20 para 9,25%). Ainda assim, Alimentação contribuiu com 0,07 ponto percentual do índice, enquanto o leite pasteurizado, com 0,11 ponto. Também apresentaram resultados menores carnes (-0,35%), batata inglesa (-12,91%), óleo de soja (+0,25%) e pão francês (-0,45%%). E continuaram em queda arroz (-2,39%), frutas (-1,80%), cenoura (-14,42%), feijão preto (-4,57%), hortaliças (-2,17%) e pescados (-0,59%).
Já a inflação no grupo Habitação acelerou para 0,66 em julho, ante 0,34% em junho, contribuindo com 0,09 ponto. A variação este mês deve-se, principalmente, à energia elétrica (+1,18%), que refletiu o resultado de São Paulo (+4,80%), captando mais da metade do reajuste de 8,63% concedido a partir de 4 de julho. Também contribuíram com a alta maior no grupo gás de botijão, que subiu 1,34%; e aluguel residencial, com avanço de 0,47%.
No ano até julho, o IPCA-15 acumulou alta de 2,72%. Em 12 meses, a alta do índice é de 4,47%, abaixo dos 4,89% dos 12 meses imediatamente anteriores. Conforme destacou a equipe de economistas da Rosenberg Consultores Associados, em relatório, é a primeira vez que o índice fica abaixo do centro da meta desde dezembro de 2007.
Das 11 capitais analisadas pela pesquisa, apenas duas mostraram aceleração nos preços entre junho e julho: Curitiba (de +0,33 para +0,75%) – que também registrou a maior taxa – e Fortaleza (de +0,54 para +0,72%). A menor taxa foi registrada em Belém (que passou de +0,30 para -0,06%). São Paulo registrou alta de 0,23% e o Rio de Janeiro, de 0,09%. Em junho, as variações foram positivas em 0,31 e 0,40%, respectivamente.
O IPCA-15 é tido como uma prévia do IPCA, o índice que serve de referência para a meta de inflação do governo. No mercado de juros futuros, as taxas abriram em queda após a divulgação do dado. Às 10h17, o DI janeiro de 2010 projetava 8,64% ao ano, ante 8,66% no ajuste da véspera. Janeiro de 2011 estava em 9,85%, ante 9,89% no ajuste de quinta-feira.
"O IPCA-15 foi muito bom e longe do que se esperava o mais otimista entre os analistas", disse um profissional da área de DI de uma corretora em São Paulo.
Em email a clientes, o economista do BNP Paribas Diego Donadio avaliou que, de modo geral, a melhora na maioria dos componentes do índice sustentam a avaliação do banco de que a dinâmica inflacionária está bem contida, também ajudada por um baixo efeito inercial da inflação passada.
Recuos
Conforme levantamento da Rosenberg, todas as medidas de núcleo apresentaram desaceleração frente o mês anterior, sendo que o por exclusão passou de 0,39 para 0,13%, enquanto os núcleos por médias aparadas passaram de 0,35 para 0,17% (sem suavização) e de 0,46 para 0,28% (suavizado).
O índice de difusão, também de acordo com a Rosenberg, cedeu, de 62,76 para 53,65%.