A inflação pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) desacelerou em junho, mas em ritmo um pouco inferior ao esperado pelo mercado. O arrefecimento deveu-se a menores altas nos custos de remédios, cigarros e a uma menor pressão de tarifas como energia e água e esgoto. O indicador avançou 0,36% em junho, após subir 0,47% em maio, informou o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), nesta quarta-feira.
Analistas consultados pela agência inglesa de notícias Reuters esperavam avanço de 0,31%, segundo a mediana das previsões de 25 instituições financeiras, que variaram de 0,28 a 0,34%. Os núcleos do índice também desaceleraram. O IBGE não calcula os núcleos, mas a LCA Consultores informou que a média dos três --por exclusão e por médias aparadas com e sem suavização-- foi de alta de 0,33% em junho, ante 0,46% em maio.
Preços
Os preços do grupo Habitação avançaram 0,27% em junho, após subirem 0,72% em maio, "em função da menor incidência de reajustes na taxa de água e esgoto, aluguel residencial e energia elétrica", disse o IBGE em nota. Os custos de Saúde e cuidados pessoais tiveram avanço de 0,49% em junho, contra 0,68% em maio, refletindo um menor impacto dos reajustes dos remédios.
O grupo Despesas pessoais teve elevação de preços de 0,49% no mês passado ante 1,57% no anterior. A desaceleração reflete a queda de 0,28% dos cigarros em junho após a alta de 9,21% em maio, e o menor aumento de custos de empregado doméstico, de 0,80% ante 1,35%. Mostrando que o setor está em período de liquidações, os preços de Vestuário desaceleraram a alta para 0,53% em junho, contra 1,16% em maio.
Na outra ponta, os preços de Alimentação e Bebidas tiveram aumento de 0,70% no mês passado, acima da variação de 0,44% no anterior. O destaque nesse grupo foi o leite pasteurizado, que está em período de entressafra e teve a maior contribuição individual de alta para o IPCA do mês, de 0,14 ponto percentual.
Os custos de Transportes voltaram a subir, em 0,02%, após caírem 0,18% em maio. No primeiro semestre, o IPCA acumula alta de 2,57%, abaixo da elevação de 3,64% de igual período de 2008. Nos últimos doze meses, o índice subiu 4,80%, resultado também abaixo do doze meses anteriores, de 5,20%.
IPC-Semanal
A inflação pelo Índice de Preços ao Consumidor Semanal (IPC-S) acelerou no início deste mês, em razão de maiores custos de alimentos e aluguel, mas ainda assim teve a menor leitura do ano para uma primeira semana. O indicador subiu 0,31% na primeira prévia de julho, ante alta de 0,12% no mês de junho, informou a Fundação Getúlio Vargas (FGV), nesta quarta-feira.
"Apesar da aceleração em comparação à última apuração, este foi o menor resultado apurado para a primeira semana em 2009", disse a FGV em nota.
As principais altas partiram dos grupos alimentação (0,12% para 0,73%), habitação (0,12% para 0,20%), transportes (-0,14% para -0,09%), saúde e cuidados pessoais (0,27% para 0,29%) e vestuário (0,43% para 0,44%). Os itens que influenciaram nas taxas foram frutas (-3,10% para -0,15%), tarifa de eletricidade residencial (-1,55% para -0,73%), seguro facultativo para veículo (0,49% para 0,71%), medicamentos em geral (0,47% para 0,55%) e calçados (-0,15% para 0,10%).
O grupo em que a inflação diminuiu foi despesas diversas (0,31% para 0,05%), com destaque para o item alimentos para animais domésticos (0,92% para 0,24%) . Em educação, leitura e recreação (-0,04% para -0,06%) aumentou a deflação e o item mais importante foi passagem aérea, que passou de -0,20% para -2,50%.