Assertivas importantes no combate à inflação foram destacadas pelos representantes do governo que participaram da primeira reunião do Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social (CDES), o "Conselhão" na gestão Dilma.
A própria presidenta da República Dilma Roussef, como já comentamos neste blog ontem, reafirmou seu compromisso no combate à inflação, avisando a todos que o momento exige "serenidade" e não um maior aquecimento da economia.
Esta posição também foi firmada pela ministra do Planejamento, Miriam Belchior, e pelo presidente do Banco Central (BC), Alexandre Tombini. O chefe da autoridade monetária apontou o esforço redobrado do governo para colocar a inflação na meta no próximo ano - meta, segundo ele, que será buscada ao longo do tempo.
O principal desafio
Tombini também apontou como principal desafio - além da conversão da inflação apesar da alta dos preços das commodities - a contenção do exagerado fluxo do capital estrangeiro para o Brasil. Ele reforçou as colocações do ministro Guido Mantega (Fazenda), no sentido de que as medidas tomadas pelo governo fizeram os fluxos cambiais ficar no "zero a zero" até o dia 20 pp.
O presidente do BC lembrou as medidas macroprudenciais tomadas durante a crise internacional de 2008: "elas ajudam a fazer com que o crédito cresça a um ritmo mais moderado e a inflação seguir para a meta". Tombini acentuou que "as projeções do BC para a inflação são um pouco melhores do que as do mercado".
O compromisso da autoridade monetária, frisou, é que inflação fique em 4,5% - no centro da meta, portanto, no próximo ano. Tombini também apontou a inflação hoje como um problema global, citando dados da realidade inflacionária de diversos países do mundo.
Situação brasileira é reflexo da global
Em sua visão, a inflação brasileira é um reflexo desta situação global, embora apresente causas locais. A mesma visão foi compartilhada na reunião do CDES pela ministra do Planejamento, Miriam Belchior.
"Ela depende de medidas internacionais, mas estamos atentos para impedir o contágio desses fatores internacionais sobre a nossa economia", disse a titular do Planejamento.
"No Brasil - concluiu a ministra - (a inflação) é proporcionalmente inferior a de outros países. Na China, ela saltou de 2,4% para 5,4%; no Canadá de 1,4% para 3,3%; e no Brasil, de 5,2% para 6,3%, que é nossa previsão para 2011."