A inflação ao consumidor medida pelo IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo) acelerou em setembro, pressionada pelos custos dos alimentos, por causa da entressafra, e por tarifas. O IPCA subiu 0,78% após uma alta de 0,34% em agosto, informou o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) nesta quinta-feira. A taxa de 0,78% é a mais alta desde abril, quando o índice subiu 0,97%. O número ficou um pouco acima das estimativas.
"Essa alta é pontual, não significa um descontrole da inflação", disse Eulina Nunes, gerente do sistema de índice de preços do IBGE.
Os produtos alimentícios subiram 0,78% em setembro. A maior pressão veio de carnes bovinas, cujos custos aumentaram 4,3%, representando a maior contribuição indivicudl no índice do mês, de 0,12 ponto percentual.
Os aumentos nas tarifas de telefone fixo, ônibus urbanos e água e esgoto também contribuíram de forma significativa para a alta do índice em setembro. As tarifas de água e esgoto subiram 6,3% e foram a segunda maior contribuição individual para a taxa do mês, de 0,11 ponto percentual.
As tarifas de telefonia fixa subiram 2,45%, as de ônibus urbanos, 1,07% e os combustíveis, 1,79%.
O IBGE informou ainda que no ano, o IPCA acumula alta de 8,05%, aproximando-se da meta do governo para 2003 de 8,5%. Nos últimos 12 meses, o avanço do índice é de 15,14%.
A média de previsões de 10 analistas ouvidos pela Reuters apontou uma alta de 0,69%, com os prognósticos variando de 0,65 a 0,72%. A mediana das projeções mostrou uma taxa de inflação de 0,70%.
Variação de preços por região
O maior índice regional, em setembro, foi registrado em Salvador (1,37%), onde as tarifas dos ônibus urbanos ficaram com 13,85% de variação tendo em vista o reajuste de 15,38% em 31 de agosto. O menor foi registrado no Rio de Janeiro (0,38%).
O IPCA é calculado pelo IBGE desde 1980, refere-se às famílias com rendimento monetário de 01 a 40 salários-mínimos, qualquer que seja a fonte, e abrange nove regiões metropolitanas do país, além do município de Goiânia e de Brasília. INPC de setembro teve variação de 0,82%
O Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC) apresentou variação de 0,82% e ficou acima da taxa de agosto (0,18%) em 0,64 ponto percentual. O acumulado no ano é de 8,96%, e está acima do percentual de 6,39% relativo a igual período de 2002. O índice acumulado nos últimos 12 meses é de 17,51%, resultado próximo ao dos 12 meses imediatamente anteriores (17,53%). Em setembro de 2002, a variação havia sido de 0,83%.
Os preços dos alimentos subiram 0,79% em setembro, enquanto em agosto haviam ficado em -0,48%. Os não-alimentícios aumentaram 0,83%, resultado também superior ao de agosto (0,48%).
O maior índice regional foi registrado em Salvador (1,82%) e o menor em Porto Alegre e Fortaleza (ambos com 0,36%).
O INPC é calculado pelo IBGE desde 1979, refere-se às famílias com rendimento monetário de 01 a 08 salários mínimos, sendo o chefe assalariado, e abrange nove regiões metropolitanas do país, além do município de Goiânia e de Brasília.
Para cálculo do IPCA e do INPC de setembro os preços foram coletados no período de 28 de agosto a 29 de setembro (referência) e comparados com os preços vigentes no período de 29 de julho a 27 de agosto (base).